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Notícias
Dr. Eli espera que o próximo governo tire hemodiálise da crise
Data publicação 12/11/2018
Dr Eli: “Além da defasagem na tabela do SUS, a Clirenal ainda atende 55 pacientes sem o pagamento do extra-teto”
A crise vivenciada há vários anos pelo setor de Hemodiálise no Brasil é um dos mais sérios desafios que serão enfrentados pelo próximo presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, e pelos governadores a serem empossados a partir de 1º de janeiro de 2019. De todas as regiões do País ecoam notícias de redução e interrupção de atendimentos e, pior, falência de clínicas especializadas.
A expectativa do médico nefrologista Eli Nogueira da Silva, o Dr. Eli, proprietário das clínicas de hemodiálise Clirenal  (Caratinga) e Renalclin (Manhuaçu), incansável militante na luta para evitar que o atendimento aos mais de 120 mil pacientes atendidos através do Sistema Único de Saúde (SUS) entre em colapso, é de que os novos governantes venham a se sensibilizar com a gravíssima situação enfrentada pelos hospitais e clínicas especializadas. “Nos últimos governos, o Ministério da Saúde tem se mostrado insensível à situação que nós, proprietários de clínicas que atendem pacientes do SUS, e os hospitais públicos temos enfrentado há mais de dez anos. Nesse período, várias clínicas foram à falência e diversos hospitais reduziram ou paralisaram o atendimento a pacientes com doenças renais crônicas e, se nada for feito, não sabemos até quando continuaremos com condições para manter nossas clínicas funcionando”.
 
Campanhas
Desde o início da crise, como lembra Dr. Eli, a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) e a Associação Brasileira dos Centros de Diálise e Transplante (ABCDT), representantes das clínicas e dos nefrologistas, têm tomado diversas medidas para conseguir convencer o Governo Federal a atender às reivindicações do setor, através de campanhas, encontros, reuniões e manifestações. No entanto, até agora, todos os esforços têm se mostrado em vão, diante da insensibilidade dos governos. “Parece que as autoridades governamentais não entendem que estamos tratando de pessoas que, para sobreviver, necessitam da continuidade do tratamento!”.
 
Defasagem
O principal motivo da crise instalada no serviço de hemodiálise, como enfatiza Dr. Eli, está na diferença entre o custo do tratamento oferecido pelas clínicas e hospitais e o valor repassado pelo Ministério da Saúde aos prestadores do serviço, que vem aumentando a cada ano. “O custo de cada sessão de hemodiálise é de r$ 274,00, enquanto o valor que é repassado a nós, como estabelece a Tabela do SUS, é de R$ 194,16. Com isso, somos obrigados a arcar com essa diferença de quase R% 80,00 por sessão”.
 
Assim como acontece com a esmagadora maioria das clínicas de hemodiálise do País, cerca de 85 a 90% dos pacientes na Clirenal e na Renalclin são atendidos através do SUS. Com isso, seus proprietários são obrigados a bancar parte do tratamento de seus pacientes, arcando com uma responsabilidade negligenciada pelo Ministério da Saúde. “Da forma como a coisa acontece, na verdade, nós estamos pagando para atender aos pacientes do SUS”.
 
Enquanto o preço estipulado pela Tabela do SUS é insuficiente, as despesas das clínicas sofrem constantes aumentos, como explica Dr. Eli. “Nos últimos 15 anos, todos os reajustes feitos pelo Ministério da Saúde somaram 35%. Já as clínicas enfrentaram e continuam enfrentando sucessivos aumentos nos preços das tarifas de água e de energia elétrica, nos salários de funcionários, nos alugueis de imóveis, além dos aumentos nos preços dos insumos e dos medicamentos necessários aos tratamentos, que em sua maioria são importados. Isso, sem falar na manutenção dos equipamentos”.
 
Serviço de qualidade
Apesar da gravidade da situação, a Clirenal e a Renalclin, graças ao sacrifício de seus proprietários, têm conseguido oferecer um atendimento de alta qualidade, permitindo alcançar uma taxa de sobrevida entre as melhores do País. Porém, Dr. Eli faz um alerta. “Nossa esperança é que o Governo Federal, a partir da posse de Jair Bolsonaro, entenda o quanto a situação é delicada e adote medidas urgentes, promovendo o reajuste necessário nos valores dos repasses do SUS. Se isso não acontecer, não conseguiremos manter por muito tempo o atendimento aos nossos pacientes. O Ministério da Saúde e o Governo Federal precisam entender que estamos tratando de vidas”.
 

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