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Eleições: os prejuízos da pulverização de votos
Data publicação 29/10/2018
Há muitos anos, o jornal A Semana vem alertando aos eleitores de Caratinga quanto aos prejuízos da costumeira votação em candidatos a deputado estadual e deputado federal sem vínculo com Caratinga, cujos redutos eleitorais estão alicerçados em outras cidades e regiões do Estado, os chamados “paraquedistas”, defendendo o voto em candidatos locais ou com identidade com o município e região. Tudo indica que os efeitos desse hábito errôneo possam vir a ser sentidos nos próximos quatro anos, quando a cidade não contará com nenhum representante na Assembleia Legislativa, além do deputado federal majoritário  ter seu principal reduto na cidade de Muriaé.
 
Nas eleições de 07 de outubro deste ano, 509 candidatos a deputado estadual conseguiram pelo menos um voto em Caratinga, com 71 dos 77 deputados eleitos sendo votados no município. Dentre eles, os mais votados foram André Quintão (PT) - 1.483 votos; Rosângela Reis (Pode) - 1.479 votos; Gustavo Valadares (PSDB) - 983 votos; Dr. Wilson Batista (PSD) - 771 votos; Sargento Rodrigues (PTB) – 766 votos; Celinho do Sinttrocel (PCdoB) - 682 votos; Professor Irineu (PSL) - 676 votos; Beatriz Cerqueira (PT) - 617 votos; Bruno Engler (PSL) - 564 votos; Charles Santos (PRB) - 509 votos e Gustavo Santana (PR) - 507 votos.
 
Alguns deles, como são os casos de André Quintão, Rosângela Reis, Gustavo Valadares, Dr. Wilson Batista, Sargento Rodrigues e Celinho do Sinttrocel, foram reeleitos e já conseguiram boa votação em Caratinga em eleições passadas. No entanto, nenhum benefício trouxeram para o município durante seus mandatos, permitindo acreditar que votar neles, até aqui, foi jogar voto fora.
 
Dos candidatos a deputado estadual de Caratinga, além de Dayvid da Academia, provavelmente o mais votado, cujos votos foram considerados nulos e só serão computados como válidos se ele conseguir vitória no recurso impetrado junto à Justiça eleitoral, o Sargento Borges (PSL) obteve 633 em Caratinga, enquanto Zé Carlos do Desafio (PP) conseguiu 1.096 votos do eleitorado local. 
 
Da mesma forma, a distribuição de votos a candidatos a deputado federal em Caratinga estabeleceu um novo recorde. 426 candidatos receberam pelo menos um voto no município, entre os quais os 53 deputados federais eleitos por Minas Gerais.
 
O candidato a deputado federal mais votado em Caratinga foi Pedro Leitão (PV), que alcançou 10.433 votos. No entanto, ele acabou não conseguindo se eleger, somando um total de 42.488 votos em todo o Estado.
 
O deputado Mauro Lopes (MDB), que em 2014 foi o mais votado em Caratinga, com 12.657 votos, desta vez foi apenas o terceiro mais votado entre os eleitos, com 2.712 votos, 9945 a menos do que na eleição anterior. Ele foi superado pelo deputado Misael Varella (PSD), com 3.875 votos, e pelo empresário Hercílio Coelho Diniz, com 2.732 votos, candidato pela primeira vez.
 
Os resultados das eleições de 07 de outubro só não foram ainda pior pelo fato de Mauro Lopes, ainda que a duras penas, ter conseguido sua reeleição. Mesmo assim, devido à queda brusca em sua votação no município, desbancando-o da condição de deputado majoritário pela primeira vez, os possíveis benefícios que ele prometia trazer para Caratinga muito provavelmente não virão. Suas emendas parlamentares certamente serão distribuídas pelas dezenas de cidades nas quais ele foi votado, boa parte delas com um percentual de votos superior ao de Caratinga.
 
A população de Caratinga também não deve esperar qualquer ajuda de Misael Varella, afinal, se nos últimos quatro anos ele em nada contribuiu com o município, mesmo tendo recebido 8.598 votos nas eleições de 2014, certamente nada fará nos próximos quatro anos, após sua votação ter caído exatos 4.723 votos.
 
Cabos eleitorais
Os únicos beneficiados com a pulverização de votos em Caratinga são os “cabos eleitorais profissionais”, entre os quais quase todos os vereadores. Além de possíveis vantagens financeiras, eles deverão receber ajuda para as suas candidaturas em 2020, deixando mais uma vez evidente que não exercem seus mandatos na defesa dos genuínos interesses da população caratinguense, mas movidos por interesses exclusivamente pessoais.
 
Triste situação para um município com mais de 90 mil habitantes, cujos mais de 61 mil eleitores continuam usando do direito de votar mal, permitindo que Caratinga continue sendo tratada como uma província pela classe política, em todos os seus segmentos.

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