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Cafeicultura da região sofre com individualismo
Data publicação 15/05/2017
O principal problema enfrentado pelo setor cafeeiro na região de Caratinga, que pode trazer muitos problemas para um futuro próximo, não se trata das anomalias climáticas, como ocorreu nos anos anteriores, ou da inexistência de políticas voltadas para o setor, mas a falta de espírito de associativismo entre os produtores da região, situação que poderá terminar com a falência da Cooperativa dos Cafeicultores da Região de Caratinga (Copercafé).
 
A Copercafé surgiu há 28 anos, imediatamente após a extinção do Instituto Brasileiro do Café (IBC), ocorrida em 1989, visando oferecer aos cafeicultores de Caratinga e região suporte para o desenvolvimento e fortalecimento da cultura. Desde então, reunindo os antigos técnicos e agrônomos do IBC, foi fundamental para a melhoria da qualidade dos cafés produzidos na região de Caratinga.
 
Reconhecimento
Uma das principais contribuições alcançadas pela Copercafé, como destaca seu gerente de Mercado, Paulo Antônio Vasconcelos Tavares, foi o reconhecimento da qualidade dos cafés produzidos na região. Até então, os cafés de Caratinga e municípios do entorno, eram pouco valorizados, antecipadamente classificados como Café Rio.
 
Devido à dedicação de Nilson Fereira, Paulo Tavares e do então presidente da Copercafé Narcélio Mendes Ferreira, após participação da cooperativa em vários seminários realizados no Sul de Minas, na década de 90, o cafés da região conquistaram o reconhecimento nacional e internacional, como afirma Paulo. “Nós levamos uma amostra de café para participar de um concurso nacional, com um júri formado por 15 provadores internacionais da Itália, Alemanha, Noruega, Japão e de outros países, no qual não havia a identificação do café. Nosso café acabou conseguindo muito boa classificação e, quando os provadores tomaram conhecimento da origem ficaram admirados, pois, até então, a nossa produção era tida como de baixa qualidade. A partir de então, os nossos cafés conquistaram um bom conceito no mercado”.
 
Feiras e Serviços
Ainda na década de 90, a Copercafé criou a Feira do Produtor, a Fecap, sob a coordenação do empresário Wask de Moraes, a qual trazia aos cafeicultores a oportunidade para a realização de bons negócios, na aquisição de adubo, máquinas e equipamentos, implementos, além de oferecer a oportunidade de conhecimento de novas técnicas e uso de novas tecnologias, através de palestras. 
Desde seu nascimento, detalha Paulo Tavares, a Copercafé tem disponibilizado aos seus associados toda a orientação técnica para os tratos culturais, desde o plantio, análise do solo, colheita, secagem, classificação do café, até a comercialização do produto. Periodicamente, a cooperativa promove cursos, dias de campo e palestras, investindo em mais conhecimentos para o cafeicultor.
Além disso, ressalta Paulo Tavares, a Copercafé disponibiliza sua unidade de ar-mazenamento, com capacidade entre 20 a 25 mil sacas, a única credenciada junto à Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) na região, o que lhe permite a emissão de warrants, certificado de garantia possibilitando ao produtor obter financiamento junto aos bancos.
Individualismo
 
Apesar de toda a estrutura oferecida ao seu associado, a Copercafé convive com o espírito individualista dos cafeicultores locais, como afirma o produtor Gabriel Francisco Junqueira, sócio fundador da cooperativa. “Infelizmente, o nosso produtor não tem espírito de associativismo. Foi isso o que acabou com outras iniciativas, como a Cooperativa de Produtores de Leite. Muitos de nossos associados utilizam a estrutura da Copercafé, mas não comercializam seu café através da cooperativa, dando preferência aos nossos concorrentes. Infelizmente, muitos companheiros nossos só querem tirar vantagem somente para si, não se preocupando com o fortalecimento da cooperativa. Muitos deles estão trabalhando contra a nossa cooperativa”.
 
Um exemplo real da falta de espírito de cooperativismo existente entre os cafeicultores da região é citado pelo diretor-superintentente da Copercafé, Expedito Teixeira Costa. 
 
Segundo seu relato, há vários anos, a Copercafé decidiu lançar uma licitação de preços para compra de adubo, na busca de melhor preço, após fazer contato com todos os associados, definindo a quantidade de adubo que cada um precisava, chegou-se ao número final de 20 mil sacos do produto.  A cooperativa entrou em contato com os fornecedores, solicitando suas ofertas de preço. No dia determinado para a abertura das propostas, foi conhecida a empresa que ofereceu o adubo pelo menor preço. Posteriormente, tomou-se conhecimento de que aquele fora o menor preço de adubo comercializado naquele dia em todo o Brasil, chamando a atenção de grandes cooperativas, como a Cooxupé e a Minas Sul, interessadas em conhecer como o processo foi desenvolvido.
 
Porém, ao final da licitação, o representante da empresa que apresentou o maior preço procurou um dos participantes, oferecendo seu adubo um real a menos do vencedor da concorrência. Esse produtor tentou convencer os diretores da cooperativa a desfazer o acordo com a empresa vitoriosa e comprar o produto da segunda empresa. Os dirigentes da Coopercafé não aceitaram e mantiveram o contrato, enquanto o produtor, que era comprador de mil dos 20 mil sacos de adubo adquiridos através da licitação, comprou mais mil do outro fornecedor. A atitude do produtor fez com que nunca mais houvesse novas licitações.
 
Comercialização
Constantemente, associados procuram a cooperativa para se atualizar quanto à movimentação do mercado. Paulo Tavares se mantém antenado com os preços o dia todo, acompanhando as variações do mercado e se informando constantemente sobre as notícias e tendências do mercado.
 
Ele, também, é muito procurado em busca de conselhos e sugestões quanto ao melhor momento para a venda do café. “Os produtores nos procuram e nós procuramos orientá-los quanto à melhor forma de comercializar sua produção. Porém, muitos deles se deixam levar por palpites e informações equivocadas de terceiros. Outros, depois de se utilizarem de nossa estrutura, acabam comercializando o café através de outros corretores. Com isso, eles deixam de investir no que é deles, passando o lucro para os nossos concorrentes”.
 
Paulo Tavares chama a atenção para os riscos que tais produtores correm. “A comercialização do café feita através da Copercafé acontece com uma série de garantias, o que nem sempre acontece com nossos concorrentes”.
 
Ele possui credenciais que seus concorrentes não possuem. Paulo é credenciado pela Junta de Comercial do Estado de Minas Gerais como fiel depositário, sendo responsável por todo o café depositado na unidade de armazenamento da Copercafé. Além disso, é classificador e degustador de café, formado pelo IBC, com reconhecimento do Ministério da Indústria e Comércio e do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), além de ter participado de diversos cursos de aperfeiçoamento e especialização.
 
Muito preocupado com o quadro atual e insistente em cobrar maior participação e envolvimento dos cafeicultores locais na Copercafé, Gabriel Junqueira faz uma previsão muito pessimista, que poderá trazer um enorme prejuízo ao setor. “Se continuar desse jeito, dentro de pouco tempo nós iremos fechar!”.

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