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Apesar da crise nacional no setor de Hemodiálise, Clirenal participou do Dia Mundial do Rim
Data publicação 13/03/2017
Evento realizado na quinta-feira, 09, na Praça Cesário Alvim, marcou a comemoração do “Dia Mundial do Rim”, em Caratinga, cujo tema para este ano é “Doença Renal e Obesidade. Estilo de vida saudável para rins saudáveis”, tendo como objetivo divulgar informações sobre as doenças renais crônicas e chamar a atenção da população para a importância da adoção das medidas preventivas. Infelizmente, enquanto a Sociedade Brasileira de Nefrologia tenta sensibilizar a população para a necessidade dos cuidados com os rins, o Governo Federal continua insensível com as enormes dificuldades enfrentadas pelas clínicas de hemodiálise, que encaram uma defasagem com os preços pagos pelo SUS para os tratamentos.
 
Durante todo o dia, enfermeiros e profissionais da Clirenal, clínica especializada que presta atendimento aos pacientes de doenças renais crônicas na região de Caratinga, estiveram nas tendas instaladas na Praça Cesário Alvim, aferindo a pressão arterial, fazendo testes de glicemia e passando informações sobre as doenças renais, causas, sintomas, tratamentos e medidas de prevenção às pessoas que passavam pelo local.
 
Crise no setor
De acordo com o médico nefrologista Eli Nogueira da Silva, proprietário de clínicas de diálise, a Clirenal (Caratinga), a Renalclin (Manhuaçu) , em todo o Brasil, as clínicas especializadas no tratamento de pacientes com doenças renais crônicas têm convivido, há vários anos, com o descaso do Governo Federal, fato que gerou uma séria crise no setor, resultando no fechamento de muitas unidades.
Como ele explica, isso se deve à enorme e crescente defasagem que os proprietários das clínicas vêm enfrentando, com relação aos custos dos serviços disponibilizados aos pacientes e o preço pago pelo SUS. “As clínicas que possuem um percentual maior de pacientes particulares ou cujos tratamentos sejam financiados por certos convênios, têm conseguido equilibrar as contas e enfrentar esta situação.
 
Porém, as clínicas onde o maior percentual de atendimentos e tratamentos é feito através do SUS, como é o nosso caso em Caratinga, enfrentam séria crise financeira e poderão se ver obrigadas a encerrar suas atividades, caso não seja tomada uma medida urgente por parte do Ministério da Saúde”.
 
Como ele relata, dos mais de 120 mil pacientes em diálise no Brasil, 90% fazem tratamento pelo SUS. Nos últimos 10 anos, o número de pacientes com doença renal crônica cresceu cinco vezes mais do que a quantidade de clínicas e somente 7% dos municípios brasileiros têm centros de diálise.
 
Segundo Eli Nogueira, a defasagem entre os custos para uma sessão de hemodiálise e o valor pago pelo SUS às clínicas é de 58%. “Nós, os proprietários de clínicas, somos obrigados a bancar o valor dessa diferença. Para piorar a situação, mesmo pagando quase metade do valor do serviço prestado, o Ministério da Saúde sempre efetua o pagamento às clínicas com atrasos que chegam a quase quatro meses”.
 
Há vários anos, o nefrologista tem se engajado na luta encabeçada pela Sociedade Brasileira de Nefrologia, em parceria com a Associação Brasileira dos Centros de Diálise e Transplante (ABCDT) e a Federação Nacional das Associações de Pacientes Renais e Transplantados do Brasil (Fenapar), visando sensibilizar o Governo Federal da situação crítica enfrentada pelo setor, que pode se tornar um verdadeiro caos, participando ativamente de encontros, reuniões, congressos e manifestações. “Nós temos suportado a situação, mas não sabemos até quando conseguiremos manter isso. Para continuarmos atendendo aos nossos pacientes, chegamos a contrair empréstimos e, até, a nos desfazer do patrimônio que construímos a partir do nosso trabalho. Mas, sinto que a coisa está chegando a um patamar insustentável”.
 
Em Caratinga, conforme informa Eli Nogueira, a Clirenal atende 170 pacientes, dos quais a esmagadora maioria faz tratamento pelo SUS, levando a clínica a trabalhar no vermelho. “Eu, ainda, só não fechei a clínica de Caratinga pela vida dos pacientes. Não tenham dúvida de que, se a Clirenal fechar as portas, a maioria desses pacientes poderão ter um trágico fim !”.
 
Exatamente por esse motivo, Eli Nogueira teima em acreditar que a situação possa mudar e o Governo Federal promova uma equiparação entre os custos dos tratamentos e a Tabela SUS, permitindo a sobrevivência das clínicas. “Apesar de tudo, temos nos empenhado em oferecer um atendimento de excelência aos nossos pacientes, que têm apresentado índices de sobrevida acima da média nacional e índices de mortalidade inferiores a média nacional. A melhoria da qualidade de vida dos nossos pacientes é o objetivo primordial que nos motiva a permanente busca de maior eficiência deste tratamento. A minha maior preocupação é que, se o Ministério da Saúde não agir, urgentemente, em atender as nossas reivindicações, não sei até quando poderemos manter o atual padrão de qualidade de nossos procedimentos e, até mesmo, manter o funcionamento das clínicas. E esta situação já perdura por muitos anos. Mas a luta continua, pois nosso ideal é salvar vidas e aliviar a dor e o sofrimento de nossos semelhantes! E apesar de tantos sacrifícios vale a pena manter nossa luta!

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