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Colunista - Edilson
Du baralho!
Data publicação 25/03/2019
 Quando as cartas de um baralho começam a ficar velhas e desgastadas, para que a brincadeira (ou jogo) transcorra de forma honesta e justa é necessário se trocarem as cartas, pois, à medida que elas envelhecem começam a apresentar marcas e características que permitem se saber o valor das cartas antes mesmos que elas sejam reveladas e, assim, torna o jogo viciado.
 
Nos salões de jogos clandestinos, sempre se iniciam os jogos de baralho com cartas novas, para se evitarem as práticas comuns aos jogadores trapaceiros de inserirem certas marcas nas cartas, imperceptíveis aos olhares dos adversários, que lhe garantirão a desonesta vitória.
 
Em situações assim, geralmente, o trapaceiro permite pequenas vitórias ao “pato”, apenas para fazê-lo apostar mais, a acreditar na possibilidade da vitória. Porém, quando a aposta atingir grandes somas, ele usará as cartas marcadas para derrotar o incauto adversário e tomar-lhe todo o dinheiro.
 
O que temos assistido no jogo político brasileiro é um jogo de cartas marcadas, caracterizado pelo vício e pelas trapaças, no qual os jogadores honestos não terão a menor chance de conseguir alcançar seus objetivos. Afinal de contas, não se faz democracia com cartas marcadas, pois elas sempre beneficiarão ao desonesto, ao trapaceiro e facilitarão o roubo.
 
Que fique aqui, só entre nós dois e a torcida do Flamengo... Neste cassino chamado Brasil, em todas as mesas, o jogo chamado “democracia” é feito com cartas marcadas.
 
Os atuais governos, tanto o Federal como os estaduais, por melhores que sejam as intenções de sua liderança, lamentavelmente, não lograrão o êxito esperado. Poderão obter pequenas vitórias, mas, estão fadados ao fracasso em decorrência de ainda existirem muitas “cartas marcadas” sobre a mesa e essas cartas viciadas são justamente as de mais alto valor.
 
No caso do Governo Federal, o presidente Jair Bolsonaro e os membros de sua equipe de governo terão enormes dificuldades em impor as vitórias das quais o Brasil tanto necessita pelo fato do jogo político no atual governo continuar sendo jogado com “baralho velho” e sob as antigas regras.
 
Como já escrevi há algum tempo, o grande problema da política brasileira não se limita a apenas a quem esteja no comando, mas, no sistema como acontece o “jogo”.
 
Para piorar, torna-se impossível vencer quando quem arbitra o jogo também pratica e participa da corrupção ou, no mínimo, deve seu cargo e os benefícios resultantes de seu exercício a determinados “jogadores trapaceiros”, como acontece com o Supremo Tribunal Federal, onde a Justiça nunca é cega e justa, atendendo a interesses escusos ou, em muitos casos, claramente desonestos.
 
Para provar o que disse, cito como ação do Supremo que fere mortalmente a Justiça, a recente decisão em passar ao Tribunal Superior Eleitoral os julgamentos dos crimes onde exista qualquer relação com propina para campanhas eleitorais, cuja intenção não é outra senão jogar pela latrina todo o trabalho realizado até agora pela Operação Lava Jato e, na surdina, beneficiar figuras importantes já condenadas, como é o caso do presidiário Lula, cuja condenação seus advogados tentarão derrubar com esta nova regra.
 
Os árbitros do jogo político brasileiro mudam as regras a todo instante, para atender aos sórdidos interesses daqueles que os indicaram. Por isso, como cartas de um baralho marcado, eles também precisariam ser trocados. Aliás, deveriam ser trocadas as regras usadas para escolher os ministros das cortes superiores, assim como para os desembargadores dos tribunais de Justiça.
 
O Brasil precisa de um novo livro de regras, afinal, a tal “Constituição Cidadã”, que completou 30 anos no ano passado, pode ser tudo, menos “cidadã”. De tão emendada, ou melhor “remendada”, a Constituição Federal se mostra envelhecida, viciada, ineficaz e não atende aos anseios de uma população que está enojada com o fedor exalado pela podridão que envolveu os poderes.
 
Por favor!... Troquem as cartas ou fechem o cassino!
 


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