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Colunista - Edilson
Doença
Data publicação 29/10/2018
No curso da história da humanidade, a sociedade organizada institucionalizou uma diferenciação entre as diversas atividades laborais, passando a considerar determinadas profissões mais valorizadas do que outras, de certo modo, se esquecendo de que todas são importantes para a perfeita harmonia da comunidade na qual estão inseridas.
 
A alta valorização de determinadas atividades profissionais ocorrida em nosso país é um dos ingredientes para ter sido estabelecida a exacerbada desigualdade social existente no Brasil, onde uns ganham verdadeiras fortunas e outros, mesmo sendo trabalhadores, mal conseguem o suficiente para sobreviver, como se fossem seres inferiores.
 
Obviamente, não se pode desprezar o esforço de quem se empenha em adquirir capacitação e douto saber no campo profissional que abraçou. Porém, o reconhecimento de tal dedicação não significa necessariamente impor o desprezo a profissionais de outras áreas de atuação.
 
Muitas pessoas, outrora aparentemente humildes e simpática, à medida em que começam a alcançar alguns degraus acima passam a se revelar orgulhosas, arrogantes, prepotentes e antipáticas, considerando-se melhores e superiores a quem, no passado era um igual.
 
No caráter contemplativo que meus sessenta e poucos anos me permitem, tenho observado essa transformação acontecer com muitas pessoas. Vejo isso nos jovens que, ao conseguirem seu ingresso em um curso universitário, passam a se considerar os mais inteligentes e os mais sábios, julgando-se capazes de ter a melhor análise de tudo e, mesmo sem o curso, sente-se verdadeiros “doutores do saber”. Infelizmente, eu vejo muitos deles menosprezando os próprios pais, se esquecendo dos sacrifícios aos quais, muitas vezes, eles se submeteram exatamente para dar ao filho a oportunidade que não tiveram, preferindo se embriagar com a imbecilidade de sua arrogância.
 
De forma semelhante, grande parte das pessoas, ao conseguir uma promoção na empresa ou instituição em que trabalha, seja ela mínima, muda completamente sua maneira de proceder. E esta mudança vai desde os locais que frequentava, passando a ir somente a ambientes à sua altura, troca de amizades e ao trato com as pessoas, deixando de cumprimentar o carteiro, o porteiro do prédio e, até mesmo, aos companheiros de trabalho, impondo a eles uma autoridade cuja própria capacidade não lhe permitiu conquistar.
 
Tenho plena convicção de que esperar o estabelecimento de ganhos financeiros iguais a todas as profissões e cargos é utopia, é muito pouco provável ver um enfermeiro ou um fisioterapeuta recebendo o mesmo que um médico, embora todos atuem no mesmo setor e, muitas vezes, o sucesso de um dependa da boa atuação dos outros.
 
No entanto, filosofando um pouquinho, o erro nosso é não compreendermos que a sociedade é como o corpo humano onde, assim como os órgãos, as pessoas tem funções, profissões e atividades distintas e todas precisam interagir de forma precisa e harmônica para o bem comum.
 
É preciso entender que, assim como todo o corpo sofre quando a cabeça ou o dente doem, a sociedade jamais estará sadia se algum dos segmentos estiver enfrentando desvalorização ou alguma injustiça. Como bem disse Martin Luther King, uma das personalidades que mais admiro, “a injustiça cometida em algum lugar compromete a justiça em todos os lugares”.
 
Se no Brasil, onde a injustiça parece ser uma obrigação, ainda não se pode proporcionar salários dignos a profissionais tão importantes como o lixeiro, o porteiro, o garçom, a recepcionista e o professor (mais que uma profissão, um sacerdócio), pelo menos, deveríamos dar-lhes o respeito merecido e o tratamento justo a um cidadão, membros desse corpo chamado País, assim iniciando o tratamento visando alcançarmos a saúde de uma nação doente.
 


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