tv semana grupo semana
     

PUBLICIDADE

Colunista - Edilson
Legado
Data publicação 24/09/2018
O exercício da vereança, há muito tempo, abandonou o princípio do idealismo para se tornar uma excelente oportunidade para o enriquecimento, muitas vezes ilícito, de quem não teria capacidade e competência para consegui-lo de outra forma.
 
Em um passado que se torna distante, grande parte de quem se candidatava a vereador assim procedia com o idealismo de exercer sua condição de líder comunitário em benefício do bairro, do distrito e, consequentemente, de toda a cidade, dedicando seu tempo na defesa dos interesses da comunidade sem nada receber. Pelo contrário!... Alguns gastavam do próprio bolso para desempenhar o cargo.
Porém, a partir do final da década de 70, a vereança passou a ser paga, com os edis recebendo o subsídio para o desempenho de suas atribuições. Com o passar dos anos, o que era “uma ajuda de custo” passou a ser um “excelente salário”, lembrando que o vereador não tem a obrigação legal de deixar sua atividade profissional para o exercício do cargo.
 
Em Caratinga, por exemplo, o vereador que continuou com seu emprego e manteve o padrão de vida anterior à sua eleição, ao final dos quatro anos de mandato, terá aumentado R$ 500 mil ao seu patrimônio.
 
Se isso não fosse suficiente, quase todos eles barganham o voto que possuem nas decisões da Câmara Municipal por aluguel de veículos, empregos ou promoções de cargo para esposas, filhos, sobrinhos, cunhados, irmãos, sogros ou pais, engordando, ainda mais, seus faturamentos mensais.
 
Vale ainda lembrar que, além do excelente salário, todas as despesas de suas viagens, nem sempre necessárias, justificadas ou de interesse de Caratinga, são pagas pelos cofres públicos, através das chamadas “diárias”, mais um penduricalho incorporado aos elevados custos dos vereadores.
 
Para tornar em péssimo o muito ruim, apesar das vantagens, dos elevados salários e das mordomias, nossos nobres edis, quase nada operantes, como é público e notório,  eles usam os cargos que ocupam em benefício próprio, independente se isso prejudicará a população que juraram representar.
 
Podemos ver isso acontecer neste momento quando, os vereadores aproveitam as eleições a deputado estadual e federal para “negociar” seu suposto prestígio junto ao eleitorado local com parlamentares ou mesmo candidatos de outras cidades e regiões.
 
A prática não é ilegal, mas devido às suas consequências, ela se veste de uma grave imoralidade, na medida em que iludem o eleitor local a destinar seu voto a candidatos que, uma vez eleitos, só retornarão aqui às vésperas de uma nova eleição e, em caso de conseguir o cargo, não cumprirão nenhuma das promessas feitas e nada ou quase nada farão pelo município, como há décadas acontece com Caratinga.
 
A pulverização de votos, como sempre acontece, tem prejudicado candidatos nativos e, consequentemente, desanimado o lançamento de possíveis candidaturas locais, deixando o município e a região, que poderiam facilmente eleger dois ou três membros em cada uma das duas casas parlamentares, sem alguém que lhe defendam as causas ou intercedam por suas carências e necessidades.
 
No pleito atual Caratinga conta com dois candidatos à Câmara Federal na disputa, quero acreditar que ambos lograrão êxito nas urnas. Porém, apenas um candidato local disputa uma vaga à Assembleia Legislativa. Infelizmente, mesmo se livrando de questões judiciais, dificilmente conseguirá a eleição, devido à distribuição dos votos do eleitorado caratinguense a forasteiros e, com isso, o município não terá representante no Parlamento Mineiro.
 
Graças ao despojamento do necessário e fundamental bairrismo, Caratinga continuará, sabe-se lá até quando, a não ter debatidas e defendidas ações efetivas e suficientes a promover o tão sonhado desenvolvimento e, com isso, legando o recesso e falta de progresso às futuras gerações.
 


Mudar de colunista:

FALE CONOSCO
grupoasemana@gmail.com
333322-1212
RUA JOAO DA SILVA ARAUJO, Nº 8 - SL304
CENTRO | CARATINGA-MG


Copyright JORNAL A SEMANA - © 2018 - Todos os direitos reservados.