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Colunista - Edilson
Abdicar
Data publicação 23/07/2018
Sempre, quando ouço uma pessoa afirmar que não comparecerá às urnas para votar ou pretende anular seus votos eu me decepciono, principalmente quando tais afirmações vêm de uma pessoa mais vivida e, portanto, que deveria ser mais esclarecida e sábia.
 
Quando quem assim fala é jovem, eu entendo a declaração como sendo motivada, ainda que não justificável, pela inconsequência ou rebeldia juvenil e, assim, eu a perdoo, pois haverá tempo suficiente para quem assim pensa rever seus valores e, no futuro, agir como faz a juventude responsável deste país.
 
Minha maior decepção com as pessoas mais experientes, quando elas manifestam publicamente a intenção de não participar do processo eleitoral, não é fruto de preconceito para com os idosos, até porque eu faço parte desse “time”, mas por ficar explicito que os anos não lhes trouxeram a sabedoria necessária para compreender a importância do voto e por confessarem sua ignorância política.
 
Os “ignorantes políticos”, em sua injustificável deserção da luta por um país melhor e mais justo para todos, obscurecem seus olhos e o entendimento para o fato de que, ao imitarem o covarde gesto de Pilatos em “lavar as mãos”, na verdade, estão contribuindo de forma efetiva para a continuidade do poder nas mãos dos maus e negam aos seus filhos, netos e bisnetos um futuro de incertezas, afastado da justiça social e do desenvolvimento.
 
Quem, ao ser convocado a escolher quem governará os destinos de uma nação opta pela prática da omissão (o mais hediondo dos crimes) está assinando uma autorização para que pessoas inescrupulosas continuem a dilapidar o País.
 
Sinceramente, entre quem pratica a corrupção e quem poderia impedilo de continuar assim procedendo e não o faz, eu considero mais culpado o segundo, afinal de contas, ele assiste a tudo calado, mesmo tendo em suas mãos, aliás, em seus dedos, as ferramentas necessárias para impedir a perpetuação do mal.
 
Perdoe-me se você pensa de forma contrária, mas não posso ser omisso ou irresponsável com aquilo que penso. Quem pode votar e não o faz, de forma alguma está manifestando sua revolta. Antes, está se acovardando e fugindo de seu dever cívico, não tendo sequer moral para criticar a corrupção, posto ter sido chamado para tentar impedir sua continuidade e, de livre e espontânea vontade, não quis fazê-lo.
 
Também não adianta usar a máxima, segundo a qual “todo político é ladrão”. Ela não é uma verdade e faz injustiça a muitos homens e mulheres que praticam de forma correta e honesta o exercício do poder. Não seja injusto para tentar encobrir a sua condição de omisso!
 
Neste sentido, já disse o ativista norte-americano Martin Luther King: “O que me preocupa não é nem o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética... O que me preocupa é o silêncio dos bons!”.
 
Quem abdica do direito ao voto, mostrando ser um “analfabeto político”, abdica também de todos os seus demais direitos e contribui para a degradação da nação, como bem destacou Bertholt Brecht, ainda na metade do século passado: “O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais”.
 


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