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Colunista - Edilson
C Cedilha
Data publicação 09/07/2018
Eu tenho sido um crítico ferrenho à falta de seriedade do cidadão brasileiro e de seu descaso para com os mais importantes temas do nosso país, reconheço. Porém, eu precisaria ser alienado e inconsequente para permanecer calado diante da irresponsabilidade cívica que já se tornou marca registrada do povo desta nação.
 
Tudo bem!... Nem todo mundo é assim!... Porém, a preocupação despretensiosa com os destinos do País, em meio a uma população que tem a cultura da “Lei de Gerson” tão arraigada, atinge a um reduzido número de pessoas.
 
No entanto, apesar desta reduzida fatia da população que sabe separar o precioso do vil e pensa plural e profundo, a parte maior do bolo continua supervalorizando o menor, o supérfluo.
A maioria dos brasileiros tem enorme facilidade em desviar o foco de assuntos prioritários e fundamentais para coisas menos importantes e, até mesmo, fúteis e banais, como se nossa população sofresse de um surto coletivo de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade.
 
Psiu!... Preste atenção!... O Brasil continua chafurdado em um completo caos institucional que se instalou no País e não se limita ao setor político, mas atinge a todos os segmentos da sociedade, incluindo a família, a Igreja e o Judiciário.
 
Além disso, ainda estamos muito distantes de sair da crise financeira construída pelo maior esquema de corrupção já produzido na história da humanidade, aos poucos revelados nos escândalos do Mensalão, Petrolão, BNDES e tantos mais.
 
Para nós, mineiros, a situação é ainda pior. Que o digam os familiares dos servidores públicos estaduais, ativos e inativos, cujos salários, além do parcelamento, sofrem atraso no pagamento das próprias parcelas. Neste caso, também podem depor a favor de meu comentário os empresários do setor varejista, ante ao atraso de recebimentos das contas de servidores nunca antes inadimplentes.
 
Toda essa corrupção misturada com incompetência de gestão tem ampliado os problemas relacionados com os setores de Saúde, Educação, Transporte, Segurança Pública, Trabalho...
 
Mas, para que ficarmos preocupados com essas coisinhas menores, não é mesmo?... Afinal de contas, agora é momento de Copa do Mundo!... E isso é o que importa!... É momento de festa, de cerveja, de churrasco!... Nós queremos é ver o Neymar, seja correndo ou rolando pelos gramados!
 
E não importa se, para isso, seja preciso fechar a loja, a fábrica, o banco, o escritório, o consultório ou a lanchonete por meio expediente, em plena segunda-feira, ou terça, ou quarta, ou sexta... O importante é vestir verde e amarelo para demonstrar o nosso patriotismo.
 
Os adeptos da idiotice da cultura da “pátria de chuteiras”, entorpecidos pela tola ilusão de que a conquista de um título de futebol irá tornar nosso sofrido, combalido e roubado Brasil em um país melhor.
 
Após passado o choro por uma derrota ou a euforia por uma vitória, voltará o brasileiro para a dura, nua e crua realidade de um país que é, realmente é, “gigante pela própria natureza”, mas, pela tendência de seu povo em dar mais valor às futilidades, continua “deitado eternamente em berço esplêndido”.
 
No Futebol, podemos vencer todos os países do mundo, mas continuamos sendo impiedosamente goleados na Saúde, na Educação, no Transporte, no Saneamento Básico, no combate à corrupção, na geração de empregos, na distribuição de renda, na qualidade de vida...
 
Sim!... Podemos torcer por nossa seleção de futebol!... Mas não precisamos parar o Brasil só por causa disso. O País precisa trabalhar e produzir, para poder deixar de ser madrasta e se tornar na Mãe Gentil dos nossos sonhos.
 
Enquanto isso não acontece, podemos afirmar, sem medo de errar, que o Brasil é um país Çério!... Com “C cedilha maiúsculo”!
 


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