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Colunista - Edilson
Um toque
Data publicação 14/05/2018
Desde que o Brasil é Brasil!... Aliás, antes mesmo do Brasil ser batizado como “Terra de Santa Cruz”, a história deste país gigante pela própria natureza é embebida no destrutivo veneno chamado “corrupção”.
 
E ela, a corrupção, foi praticada já nos registros históricos e, de tal forma, que a história registrada nos livros e ensinada a todos nós nos bancos das escolas é recheada de engodos e mentiras, tornando bandidos em heróis e heróis em bandidos.
 
Mentiras iniciadas já no episódio do descobrimento. Diversos estudiosos e historiadores discordam com embasada argumentação de que Pedro Álvares Cabral e sua turma foram os primeiros europeus a pisar nessa terra que, segundo Caminha, “em se plantando tudo dá”.
 
De lá para cá, a corrupção na história foi usada em inúmeros momentos, contada de forma conveniente, atendendo aos interesses dos poderosos ou de quem vesse autoridade sobre os historiadores.
Neste sentido, bem escreveu o escritor uruguaio Eduardo Galeano, em sua obra “O livro dos abraços”, quando diz que “enquanto os leões não tiverem seus próprios historiadores, as histórias de caçada continuarão a glorificar o caçador”.
 
E este “espírito de corrupção”, implantado no Brasil antes mesmo de seu nascimento, se institucionalizou no decorrer dos anos, ao ponto de parecer que existe uma dura penalidade para quem for flagrado praticando a honestidade.
 
Muita gente boa, porém, menos atenta ou esclarecida, entende como “corrupção” somente as ocorrências envolvendo grandes somas de dinheiro. Tolo, a corrupção em nosso país ocorre desde nas coisas mais simples do cotidiano, sendo praticada proporcionalmente à oportunidade.
 
Entre os que criticam os políticos, empresários, executivos, servidores públicos e demais envolvidos nos enormes esquemas de desvio de dinheiro público que começaram a ser revelados nos últimos anos, grande parte faria o mesmo ou até mais, caso fosse oferecida a ocasião para tal.
 
Já escrevi sobre isso, mas, para quem ainda não se deu conta, furar fila no banco, colar na prova, apresentar atestado médico falso para justificar falta ao trabalho, sonegar impostos, distribuir cheque sem fundos, aceitar troco a mais de forma consciente ou instalar em sua casa a “sky-gato” é corrupção. E o ato de se acostumar a praticar estas e outras “pequenas corrupções” cauteriza o senso de moral e ética, possibilitando que, surgindo a oportunidade, a pessoa aceite praticar a “grande corrupção”.
 
As constantes e incessantes notícias relacionadas a escândalos de corrupção, que a cada dia são estampadas nas capas dos jornais ou anunciadas pelas emissoras de rádio e TV, nos sites e portais de notícias, causam nojo e revolta.
 
Tais sentimentos nos fazem desacreditar e desconfiar não somente dos políticos, mas das instituições, inclusive as outrora respeitadas, como a Igreja e o Judiciário, levando muitos a optar pela omissão, quando são convocados a participar dos processos eleitorais, como o que se aproxima.  Não corrompa o processo eleitoral. Dentro de um estado de ordem, é ele quem poderá criar a possibilidade de um país mais desassociado da corrupção.
 
Contribuem decisivamente para a manutenção da desordem e do retrocesso, tão aflorados em nosso país, tanto quem vende seu voto por promessa de vantagem pessoal, favor ou dinheiro, quanto quem se abstém de atuar no processo de escolha ao deixar de votar, seja pelo não comparecimento, por votar em branco ou por anular o voto.
 
Cabe, ao final, expor um dos pensamentos do pastor, professor e ativista político norte-americano Martin Luther King. “O que me preocupa não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons”.
 


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