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Colunista - Edilson
Ermitão
Data publicação 02/04/2018
No último final de semana tive o prazer de receber a visita do Carlos, um amigo com o qual não tinha contato há quase 25 anos, desde que ele, revoltado com a situação política e econômica do Brasil, decidiu se isolar no meio da Amazônia, vivendo de pesca e caça de pequenos animais.
 
Sua ida para a Amazônia aconteceu no final de 1993, meses antes da criação do Plano Real, e ele passou todos esses mais de 18 anos sem qualquer contato com a civilização, já que não recebia jornais ou revistas e não levou telefone e, nem mesmo, um radinho a pilhas para o seu exílio.
 
Passados todos esses anos, Carlos decidiu por um fim em sua vida de ermitão e na volta à civilização viajou direto para Caratinga e tive o privilégio de ser a primeira pessoa com a qual teve contato.
 
Querendo se atualizar, ele me perguntou se as coisas estavam boas no Brasil e, quando lhe disse que o País estava em crise, ele disse:
 
- O jeito, então, era eleger o Lula presidente do Brasil, pois, só o PT para acabar com a roubalheira, com a corrupção e com as injustiças sociais!
 
Ele ficou boquiaberto quando contei que Lula havia sido presidente por oito anos e que Dilma Rousseff tinha governado por mais cinco anos e perguntou se a corrupção tinha acabado.
Disse que não, havia ampliado e passei algumas horas discorrendo sobre os escândalos do Mensalão, Lava Jato e dos empréstimos do BNDES. Ao final do relato, ainda abismado, ele insistiu:
 
- Bem!... O Brasil tem condições de se recuperar!... Poderíamos promover a disputa da Copa do Mundo aqui!
 
Expliquei que já havia acontecido, em 2014 e o resultado foi a construção de estádios sem utilidade, verdadeiros “elefantes brancos”, com superfaturamento em todas as obras.
- Mas, nós ganhamos a Copa, não foi? – ele perguntou.
 
Quase desmaiou quando contei dos 7 a 1 para a Alemanha.
 
- Que se faça uma Olimpíada, então! – disse.
 
Esclareci que o Brasil sediou os Jogos Olímpicos de 2016, com poucas medalhas, obras superfaturadas e, hoje, as praças esportivas abandonadas se transformaram em ruínas.
 
Ele perguntou se o Congresso Nacional não tomava medidas contra tudo isso e lhe falei sobre os 23 senadores e os 215 deputados federais investigados na Lava Jato, acrescentando as prisões de Sérgio Cabral, Anthony Garotinho, Eduardo Cunha e a condenação de Lula a 12 anos de prisão, em um dos seis processos que ele responde por corrupção.
 
- Bem!... Não quero mais saber dessas coisas!... Vou dar uma chegada no Rio de Janeiro e curtir aquele clima de tranquilidade da “Cidade Maravilhosa”! – ele disse.
 
Carlos ficou mais pálido que um urso polar quando disse que o Rio está sob intervenção do Exército, devido à falência do setor de Segurança Pública.
 
- Poxa!... O jeito é reclamar com o Bispo!
 
Ele ficou calado por uns cinco minutos quando contei sobre o caso do Bispo da Diocese de Formosa. Respirando fundo disse:
 
- Mas, ainda bem que estamos em Caratinga!... Aqui os políticos são sérios!
 
Ele não acreditou ao saber que um ex-prefeito havia passado 90 dias preso preventivamente por envolvimento em corrupção; que um vereador foi preso por crime de extorsão e que os dois últimos prefeitos são réus em uma ação penal por fraude em contratação de uma agência de publicidade.
 
- Tudo bem!... Mas, certamente, o Supremo Tribunal Federal dará um jeito nesse festival de corrupção!
 
Ele deixou o meu apartamento às pressas, logo após eu falar das atitudes do ministro Gilmar Mendes e de outros membros do STF e três dias depois perguntei pelo Carlos a seu irmão. A resposta foi simples:
 
- Não sei!... Infelizmente, não tem como ele enviar carta, telegrama ou telefonar da barraca em que está morando no deserto do Saara.


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