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Colunista - Edilson
Serieux
Data publicação 26/02/2018

A famosa frase “O Brasil não é um país sério!”, erroneamente atribuída ao general Charles De Gaulle, que na verdade foi proferida pelo brasileiro Carlos Alves de Souza Filho, embaixador do Brasil na França no período de 1956 a 1964, não poderia retratar melhor a triste realidade do nosso país.

De fato, o Brasil está a anos luz de se tornar um país sério. Os acontecimentos que têm chegado ao conhecimento público, através da imprensa, mostram que o Brasil é um país de espírito estapafúrdio, totalmente desalinhado com a ordem, com total falta de respeito às instituições e sem qualquer compromisso com a ética e com a moral.

Neste “País dos Absurdos”, chega-se ao disparate de na iminência das leis vigentes estabelecerem severa punição a alguém, considerado importante para o sistema, que tenha se envolvido em algum escândalo, ao invés da exemplar punição, como ocorre nos países sérios, simplesmente, reúnem-se os pares e mudam-se as leis, perpetuando-se a impunidade.

Vou citar apenas três fatos para constatar situações esdrúxulas ocorridas atualmente. Uma delas é o fato do diretor do Departamento de Trânsito de Minas Gerais se encontrar com 127 pontos perdidos em sua carteira de habilitação. Outra foi a insistente tentativa de nomeação da deputada Cristiane Brasil como Ministra do Trabalho, apesar dela responder a várias ações trabalhistas movidas por seus ex-funcionários. Para piorar, quem a substituiu interinamente no cargo, Helton Yomura, é réu na Justiça do Rio em ação de furto de energia.

Se não bastasse isso, a grotesca legislação brasileira, manejada e remanejada pelos três poderes, cria tantas chicanas, arquitetadas com o nefasto propósito de escudar os desonestos poderosos da aplicabilidade da lei, sempre severa demais com os simples mortais, permite ocorrerem situações mais absurdas que as citadas acima.

O arremedo de leis e jurisprudências existente no Brasil permite que condenados pela justiça possam disputar e, até mesmo, vencer eleições, amparados por uma liminar, medida judicial provisória, dando a eles plenos direitos para, usando o poder, influenciar o resultado de seus julgamentos e lhes garantindo o direito de continuar praticando a corrupção.

Não tenho douto saber sobre Direito. Aliás, estou muito longe disso, reconheço. No entanto, os princípios de moral e justiça que trago na mente, adquiridos na Universidade da Vida, escola por excelência, me permitem o pitaco.

Mesmo quando a intenção parece ser boa, criam mecanismos para beneficiar e, até mesmo, incentivar o crime. Prova disso é a “delação premiada”, na qual o delator se compromete a devolver “parte” do muito que ele ajudou a desviar da Saúde, da Agricultura, da Infraestrutura, da Segurança... Com isso, o grosso do dinheiro que ele roubou passa a ser dele de forma legal, ou seja, oficializa-se a “lavagem de dinheiro”.

Em um país sério, todos os bens do corrupto seriam confiscados, sendo devolvido a ele aquilo que ele pudesse provar ter sido obtido de forma honesta.

Se o Brasil fosse o país sério com o qual tanto almejo, a simples suspeita ou indício de envolvimento de uma pessoa em esquemas e escândalos de corrupção ou qualquer outra modalidade criminosa deveria ser mais do que suficiente para impedir qualquer tentativa de concurso a cargos eletivos.

Senão, vejamos!... Você teria a coragem de colocar para administrar a sua conta bancária ou a sua empresa uma pessoa suspeita de praticar roubo?... Qual dona de casa teria coragem de contratar como babá de seus filhos uma pessoa acusada de cometer abuso sexual contra vulneráveis?

Porém, as nossas leis possibilitam que criminosos, corruptos e suspeitos de crimes possam gerenciar o futuro de nossas cidades, de nossos estados e do nosso País, entregando ao bandido a chave do cofre ou, em uma comparação mais mineira, colocando a raposa para tomar conta do galinheiro.


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