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Colunista - Edilson
Vergonha
Data publicação 13/11/2017
Quando a “cara de pau” dos políticos supera os limites da compreensão do momento de dificuldade pelo qual passa a esmagadora maioria dos brasileiros, diante da crise financeira que sempre atinge com mais contundência ao menos favorecidos, a atitude daqueles torna evidente a sua mais completa falta de vergonha na cara.
 
Vemos isso na proposta apresentada por um grupo de vereadores à Mesa Diretora da Câmara Municipal de Caratinga, pedindo que lhe seja aumentado os salários que, na minha opinião, já são por demais elevados e considerados uma afronta, se comparados aos vencimentos da maioria expressiva dos trabalhadores caratinguenses e ao inexpressivo ou inexistente benefício oferecidos pelos “nobres” edis.
 
Como é mister destacar, a função de vereador não impede que os membros do Legislativo de Caratinga continuem com o exercício de suas atividades profissionais ou decidam exercer alguma profissão. Portanto, quem acha insuficiente receber R$ 9.015,00 por mês, tendo como única obrigação participar de uma reunião noturna semanal, da qual pode entrar mudo e sair calado, que passe a trabalhar, como fazem os contribuintes de cujo suor sai o dinheiro para custear os salários e demais mordomias dos dezessete vereadores.
 
Para se ter uma noção do quanto a existência da Câmara de Vereadores é cara e pesada para à população de Caratinga, cuja maioria tem como ganho ao final de um mês os R$ 937,00 do salário mínimo, correspondente a míseros R$ 4,26 por hora trabalhada, vamos fazer alguns rápidos cálculos, dos quais retiraremos os funcionários, entendendo que eles trabalham e fazem por merecer os salários recebidos.
 
Computando-se somente os gastos com os dezessete vereadores em pagamento de salários, pondo ao lado as demais mordomias, como os gastos com seus gabinetes e as despesas de suas viagens a Belo Horizonte ou outras cidades, pagas com dinheiro público, a cada mês são gastos RR$ 153.255,00 com os caros, por sinal bem caros, parlamentares.
 
Apenas com o pagamento de salários e o 13º, cada um dos vereadores, custa R$ 117.195,00 aos cofres públicos durante um ano. No total, os salários mensais e o 13º dos dezessete parlamentares somam a “mixaria” de quase R$ 2 milhões, exatos R$ 1.992.315,00, resultando em R$ 7.969.260,00 durante os quatro anos de mandato da atual Câmara. Esses quase R$ 8 milhões seriam suficientes para custear a construção de mais de 200 casas populares.
 
Diante do princípio de “custo e benefício”, se porventura existir algum benefício na existência de uma Câmara Municipal em Caratinga, os vereadores deveriam acolher proposta feita, no ano passado, pelo também vereador Diego Oliveira, reduzindo seus salários para R$ 2 mil. Bonzinho como sou, proporia um aumento de R$ 50% na proposta inicial, elevando os salários dos membros do Legislativo Municipal para R$ 3 mil, que agradaria a milhares de trabalhadores.
 
Se assim fosse, em comparação aos valores salariais pagos atualmente, seriam economizados pela Câmara de Caratinga, R$ 102 mil por mês, R$ 1.326.000 por ano e R$ 5,3 milhões durante os quatro anos de mandato, dinheiro suficiente para a construção de 137 casas populares de dois quartos.
 
Quanto àqueles parlamentares que consideram o salário de R$ 3 mil mensais um valor muito baixo para o “extenuante” trabalho por eles desenvolvidos, simples!... Renunciem ao mandato e não voltem a se candidatar mais!
 
Afinal de contas, para quem vislumbra o exercício da vereança como forma de prestar um serviço à sociedade, da qual ele e sua família fazem parte, certamente, o salário de R$ 3 mil é mais do que suficiente.
 
Até porque, o que for pago além disso, para um vereador, diante dos serviços prestados e em uma cidade pequena como a nossa, para mim, é uma vergonha!


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