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Colunista - Edilson
Posso falar?
Data publicação 24/10/2017
Quando alguém, em uma roda de bate-papo, em casa ou com os amigos, defende a ideia de se fazer necessária uma intervenção das forças armadas no Brasil, em decorrência da crise institucional que se estabeleceu nos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário deste país, é muito comum os demais participantes torcerem o bigode ou, até mesmo, manifestarem a sua contrariedade aos gritos e impropérios.
 
Quem se exalta por considerar descabida e inaceitável a posição de quem entende ser a intervenção militar o melhor caminho para se estabelecer a Ordem e voltar o País na direção certa rumo ao Progresso, no mínimo, comete um grave erro. O erro de não dar a outrem o direito de ter uma opinião diferente e de poder expô-la, ferindo de forma contundente o direito de expressão e o de liberdade de pensamento.
 
Quem censura e condena a outra pessoa por ela “abusar” do direito de achar que a rigidez do regime militar é necessária para corrigir as distorções e o câncer da corrupção que se alastrou de forma generalizada por todas as instituições existentes no Brasil, considerando tal sistema de governar excessivamente impositivo, age com intransigência idêntica à dos ditadores.
 
Tal atitude é totalmente contrária aos princípios democráticos, tolhendo ao cidadão seus direitos constitucionais e escravizando as liberdades individuais expostas na Declaração Universal dos Direitos Humanos, negando ao outro aquilo que tanto deseja para si.
 
O espírito da Democracia oferece tanta liberdade ao contraditório a ponto de permitir, entre as agremiações político partidárias devidamente legalizadas e ativas, com livre direito de sua criação e participação nos pleitos eleitorais, os partidos da linha comunista, mesmo sendo o comunismo um sistema de governo oposto ao regime democrático.
 
Assim, da mesma forma como uns têm pleno direito de simpatizar com os movimentos políticos de esquerda, centro ou centro-esquerda, não se pode considerar imprópria ou absurda a preferência de quem nutre simpatia pelas ideias dos movimentos de direita.
 
Cabe muito bem refletir, ou melhor, praticar o pensamento, cuja autoria é reputada ao escritor e filósofo francês François Marie Arouet, universalmente conhecido por Voltaire, embora não exista prova de ser ele seu autor. A frase é uma aula de convivência sadia apesar das diferenças e diz assim: “Eu posso não concordar com nenhuma das palavras que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-las”.
 
Eu pergunto!... Como eu posso, no exercício de meus sagrados direitos, exigir que me seja dada a liberdade de pensar de uma forma e querer obrigar que os demais pensem exatamente como eu penso?
 
O “jogo político” deve ser jogado de forma justa, sem cartas marcadas e dando aos participantes o pleno direito de jogá-lo segundo as suas próprias convicções.
 
Estamos há menos de um ano de uma nova rodada no jogo político brasileiro. Momento ideal para analisarmos o desempenho dos governantes que ocuparam o poder nesses 32 anos da saída dos generais do comando da nação. Momento propício para se estabelecerem as comparações entre os 21 anos de excessivo rigor dos militares e os 32 anos da ascensão dos civis ao poder. 
 
É hora de analisar se, de fato, o regime militar foi tão cruel com o cidadão brasileiro como falam seus opositores, assim como, de avaliar se, de lá para cá, os governos que se sucederam nos últimos 32 anos proporcionaram mais liberdade, mais empregos, melhor qualidade de ensino, mais oportunidades, melhor saúde, mais segurança...
 
Temos quase um ano para refletir e analisar quanto ao nosso passado e projetar o futuro desta nação que, como tenho dito em várias oportunidades, continua muito distante da Pátria idealizada pelos versos de Joaquim Osório Duque Estrada, pois, de forma alguma o Brasil está sendo para seus filhos uma mãe gentil. 


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