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Colunista - Edilson
Damnum intulerat
Data publicação 03/09/2017

Nada causa mais revolta que a “injustiça”. Não existindo situação na qual ela possa ser aceita e, pelo próprio significado da palavra, não existe argumentos para fundamentar a sua prática, independentemente de quem venha ser o seu ator.

Porém, o ato injusto atinge o auge do absurdo quando praticado exatamente por quem, pelo cargo exercido, deveria da justiça ser o mais ferrenho defensor. Causa asco quando a injustiça é imposta pelos tribunais, roubando a esperança do ofendido e vestindo o erro, o crime, o dolo, o dano do manto da legalidade e impondo ao mau o salvo conduto da impunidade.

A busca pela justiça é algo inerente ao ser humano, em todos os aspectos de sua vida!... Ele busca justiça quanto ao pagamento de seu trabalho, no preço de algum bem adquirido, no tratamento que lhe dão, assim como na punição de quem o tenha ofendido.

E é esta busca, este desejo, este clamor por justiça que faz cidadão revestir a quem exerce a responsabilidade de julgar de um elevado respeito e do reconhecimento de sua elevada e fundamental importância para o estabelecimento da perfeita harmonia na sociedade. Portanto, quando o juiz não é justo seu ato ou sua omissão geram um profundo sentimento de indignação.

Por tais motivos, sinto-me enojado com o fato do Judiciário Brasileiro, notadamente a suprema corte, que em mais de três anos de revelações sobre o maior escândalo financeiro ocorrido no Mundo, em todos os tempos, levando o País chafurdar na mais profunda crise econômica e institucional de sua história, não punir ou, no máximo, “brincar de punir” os seus agentes.

As atitudes tomadas pelo ministro Gilmar Mendes, especialmente no caso do transporte público do Rio de Janeiro, oferecendo liberdade a quem não faz por merecê-la, legitima a prática do roubo e da corrupção, banalizando o respeito às leis e à prática da cidadania.

Não consigo concordar, de forma alguma, com os exagerados benefícios concedidos pela legislação brasileira a quem comete crime. A ponto de fazer parecer que a vítima cometeu o crime de ser vitimada. Prova disso são os inquéritos e julgamentos de estupros, levados e concluídos com tamanha injustiça que tem gerado na esmagadora maioria das mulheres vitimadas o medo de apresentar denúncia.

Os acordos de deleção firmados com os envolvidos nos escândalos da Lava Jato, do BNDES e outros mais, se por um lado traz importantes revelações e provas contra outros envolvidos, na outra ponta, acaba por lavar dinheiro obtido de forma irregular e desviado dos cofres públicos, escrevendo, com letras garrafais que, no Brasil, o crime compensa e muito!

Quem desvia dinheiro público não pode ter benefícios. Não pode ter tomado o direito de ampla defesa, mas não pode receber um tratamento excessivamente melhor que o aplicado ao batedor de carteiras, ao ladrão de galinhas, afinal, quem desvia recursos públicos que deveriam ser aplicados na geração de empregos, no saneamento básico, na preservação do meio ambiente, na produção de alimentos, na Segurança Pública, na melhoria da Educação e na Saúde, é um assassino e como tal deve ser julgado e punido com os cabíveis rigores da lei.

Indignado, faço minhas as palavras de Ruy Barbosa. “Saudade da justiça imparcial, exata, precisa. Que estava ao lado da direita, da esquerda, centro ou fundos. Porque o que faz a justiça é o “ser justo”. Tão simples e tão banal. Tão puro. Saudade da justiça pura, imaculada. Aquela que não olha a quem nem o rabo de ninguém. A que não olha o bolso também. Que tanto faz quem dá mais, pode mais, fala mais. Saudade da justiça capaz. A injustiça, por ínfima que seja a criatura vitimada, revolta-me, transmuda-me, incendeia-me, roubando-me a tranquilidade do coração e a estima pela vida”.


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