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Colunista - Edilson
Mitei?
Data publicação 10/07/2017
Como um eterno aprendiz das palavras, lido com elas em todos os dias da minha vida, seja como forma de ganhar o meu sustento ou em meus momentos de descanso, quando faço do ler e do escrever excelentes momentos de lazer e também de enriquecimento do saber.
 
Assim sendo, muito me entristeço ao ver o número assustador de jovens e adultos brasileiros com enormes dificuldades em se expressar de forma correta, cometendo absurdos erros de concordância verbal e nominal, e uso errado de pronomes, entre outras questões gramaticais, além de abusar da utilização de “mais” no lugar de “mas”, de “onde” no lugar de “aonde”, de “afim” no de “a fim”, “nada haver” ao invés de “nada a ver”... Colocando “h” onde não precisava e tirando-o quando ele era necessário. Isso quando não escrevem “para mim fazer”. E eu não vou nem citar o excessivo uso de “menas”, certamente invenção de alguma feminista analfabeta, amiga de uma “ex-presidenta”.
 
Sou apaixonado pelo nosso idioma, pois ele nos proporciona enorme acervo de alternativas ao nos expressarmos com palavras suficientes para podermos descrever fielmente o que sentimos ou desejamos dizer. Nisso, somos privilegiados, em comparação aos povos que usam outros idiomas.
 
A língua espanhola, a segunda mais falada no mundo, possui 93 mil palavras definidas (verbetes). Já o Dicionário Larousse da Língua Francesa conta com 135 mil verbetes e o Dicionário Oxford do Inglês, o maior da língua inglesa, apresenta 290 mil verbetes. Os maiores dicionários atuais dessas grandes línguas perdem para o Grande Dicionário da Língua Portuguesa, elaborado por Antônio de Moraes Silva, publicado entre 1948 e 1958, que contava com 306 949 verbetes. Atualmente, o Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa registra 435 mil verbetes.
 
O pior de tudo é que, mesmo tendo essa insuperável gama de expressões, a esmagadora maioria dos brasileiros abusa do que considera direito de falar e escrever errado e, não satisfeitos com isso, brincam com o neologismo, criando novas palavras, apesar de não conhecerem aproximadamente 80% das palavras existentes no idioma oficial do País.
 
A cada dia surgem pelas redes sociais, ferramenta que pelo uso errado tem se tornado um instrumento de idiotização de massa, novas expressões. Algumas são 100% originais, outras não passam de distorção de termos já existentes e, ao trocarem os verbetes da língua portuguesa por fruto do “neologismo pós moderno”, acabam criando uma “língua estranha”, um novo idioma, onde a regra é não ter regra, fazendo Domingos Paschoal Cegalla revirar no túmulo, ao ver todo o esforço e trabalho produzido por ele em sua carreira ser jogado na latrina da ignorância.
 
Uma dessas expressões mais recentes é “mitou”, flexão do verbo “mitar” que, aliás, não existe no dicionário. Ela é fruto da internet e tem sido muito usada atualmente entre os aficionados do “Cartola Futebol Clube”, jogo criado pelo site da Globo no qual as pessoas se tornam técnicos virtuais. O termo é usado, inclusive por profissionais de imprensa ao se referirem a algum jogador de futebol dos clubes brasileiros quando ele se destaca nas rodadas do Campeonato Brasileiro de Futebol.
 
“Mitar” deriva do termo “mito”, que em um de seus significados é usado para personalidades de destaque nos meios artísticos, esportivos, culturais etc., cuja atuação ou trabalho é reconhecido e reverenciado pelo público. Infelizmente, o uso indiscriminado fez o termo perder a importância.
 
Sei que muitos irão dizer que eu não entendo os jovens e estou ficando velho. A quem pensa assim, respondo!... Eu entendo muito bem os jovens que conversam em “Português” e sou muito bem entendido por eles. Agora, “envelhecer” é algo natural que acontece a cada instante, com todas as pessoas, de forma ininterrupta. Agora, se “imbecilizar” é uma opção, com a qual eu decidi jamais comungar.


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