tv semana grupo semana
     

PUBLICIDADE

Colunista - Edilson
Justiça injusta
Data publicação 27/03/2017
A impunidade, acredito não existir dúvida quanto a isto, e as penas brandas são as principais molas propulsoras da “grande corrupção” e do constante crescimento da criminalidade em nosso país.
 
Eu fiz menção à “grande corrupção” para diferenciar o assunto ao qual irei me referir da corrupção cotidiana cometida pela quase totalidade dos brasileiros, tais como furar fila; colar na prova da escola; usar influência de amigos ou parentes para receber tratamento especial ou preferencial em bancos, órgãos públicos, unidades de saúde, etc.; adquirir produtos piratas; sonegar impostos; negar direitos a funcionários; usar horário de trabalho para cuidar de assuntos pessoais, roubando do patrão; adquirir equipamentos que pirateiam sinal de TV e fazer gato em rede de energia elétrica, entre outras práticas ilegais, consideradas por mim “pequena corrupção”.
 
A “pequena corrupção”, seja sob o rótulo “jeitinho brasileiro” ou “lei de Gerson”, infelizmente, já se tornou parte da cultura brasileira, sendo considerado idiota quem não a pratica, e passa despercebida de todos, quando, na verdade, a maioria só não pratica a “grande corrupção” por faltarem-lhe as oportunidades.
 
Eu chego até a imaginar que a esmagadora maioria das pessoas que se utilizam das redes sociais ou das conversas de botequim para criticar e xingar os envolvidos nas “grandes corrupções”, única e exclusivamente por inveja em não fazer parte do grupo, ou melhor, da quadrilha.
 
Mas, voltando ao princípio, a impunidade e a brandura das penas impostas aos criminosos e participantes de esquemas fraudulentos de grande monta têm incentivado às suas práticas, principalmente pelos benefícios legais, como os acordos de delação e as reduções dos períodos de reclusão proporcionados pela progressão da pena, fazendo com que a aplicação da justiça se torne injusta.
 
Para não alongar, citarei apenas os casos do goleiro Bruno, mandante do assassinato de Eliza Samúdio, e do ex-ator Guilherme de Paula que, juntamente com sua ex-mulher, Paula Thomaz, assassinou a atriz Daniella Perez.
 
Guilherme de Paula foi condenado a 18 anos de prisão e Paula Thomaz a 19 anos, por assassinarem Daniella Perez, uma jovem de 22 anos, que vivia um excelente momento em sua carreira como atriz, no dia 28 de dezembro de 1992. Ambos cumpriram somente seis anos, um terço da pena, recebendo o benefício de liberdade condicional. Hoje ele é evangélico (como criminoso vira evangélico, já reparou?) e é obreiro da Igreja Batista da Lagoinha.
 
Pois, é!... A autora de telenovelas Glória Perez, que cometeu o “crime” de ser mãe de Daniella Perez, já cumpriu mais de 24 anos de pena de perda de sua filha, e continuará nesta condição até o final de sua vida. Você acha que houve justiça?
 
Já o goleiro Bruno, recém contratado pela equipe do Boa Esporte, foi condenado a 22 anos e três meses pela morte de Elisa Samúdio, cujo corpo nunca foi achado, e ganhou liberdade, através de habeas corpus concedido pelo ministro Marco Aurélio de Mello, do Supremo, após seis anos e sete meses de prisão. Certamente, os amigos, pais e demais parentes da vítima devem estar comemorando a justiça feita ao mandante do assassinato de Elisa, não é?
 
Da mesma sorte, os delatores da Lava Jato, além de penas brandas, são beneficiados por devolverem aos cofres públicos apenas uma parte dos bilhões, que deveriam ser investidos em saúde, educação, segurança, transporte, habitação e outros benefícios à população e foram desviados para suas polpudas contas nos paraísos ficais. 
 
Vale lembrar que alguns desses condenados já estão gozando do benefício da prisão domiciliar, sendo “punidos” em cumprir a pena imposta pela Justiça em suas humildes mansões hollywoodianas, cercados de todas as mordomias, compradas com o produto de seus roubos, enquanto os “ladrões de galinha” permanecem confinados em presídios superlotados, espalhados pelos quatro cantos de nosso “País das Maravilhas”, totalmente esquecidos dos benefícios legais ofertados aos criminosos de colarinho branco.
 
Viva a Justiça!


Mudar de colunista:

FALE CONOSCO
grupoasemana@gmail.com
333322-1212
RUA JOAO DA SILVA ARAUJO, Nº 8 - SL304
CENTRO | CARATINGA-MG


Copyright JORNAL A SEMANA - © 2018 - Todos os direitos reservados.