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Colunista - Edilson
Enxugando gelo
Data publicação 14/11/2016
A morte das duas jovens caratinguenses no triplo homicídio ocorrido na última semana no Vale do Aço, traz à baila a reflexão sobre o envolvimento cada vez maior dos jovens brasileiros na criminalidade e a ineficaz busca de soluções para reprimir a violência, que tem ceifado a vida de pessoas ainda tão jovens.
 
Os especialistas e os profissionais de segurança pública são unânimes em afirmar que a mais importante e eficaz medida a ser adotada no combate à violência e à criminalidade é a prevenção, sem a qual torna-se infrutífero o trabalho de repressão, considerado por muitos como o simples “enxugar gelo”.
 
A recente história da criminalidade no Brasil mostra que a incidência dos crimes não diminui com a simples retirada de circulação dos criminosos e, até mesmo, dos líderes das quadrilhas e facções, pois, para cada bandido preso ou assassinado dois candidatos se apresentam para ocupar-lhe o lugar.
 
Os diversos estudos já realizados e os levantamentos estatísticos mostram que a mola propulsora para o ininterrupto crescimento da criminalidade em nossas cidades é o tráfico e consumo de drogas, que tem levado viciados a praticarem furtos e roubos com o objetivo de conseguir dinheiro para sustentar o vício.
 
Triste é constatar que um importante aliado para fazer com que jovens, cada vez com menor idade, se enveredem pelo vício e a criminalidade foi, exatamente, um instrumento criado com a proposta de coibir a violência contra crianças e adolescentes e garantir-lhes os direitos, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
 
A aplicação linear e cega do ECA, enquanto combate o trabalho escravo, os abusos sexuais e a violência contra menores, também se torna um “salvo conduto”, uma autorização legal para que adolescentes e, até, crianças pratiquem qualquer tipo de crime, inclusive os classificados como hediondos, com quase total impunidade.
 
A falta de estrutura de um país deitado eternamente em crise esplêndida, para se desenvolver a aplicação de medidas socioeducativas aos menores infratores contumazes e lhes oferecer as condições de recuperação e ressocialização, antes de inibir o crescente envolvimento dos jovens na criminalidade, acaba se tornando uma enorme incentivadora, fazendo com que os agentes de segurança pública sintam como se, ao invés de desenvolver o trabalho para o qual foram preparados, estejam apenas brincando de um “pega-pega” interminável.
 
Para piorar o já péssimo, sob a esfarrapada desculpa da falta de presídios, ao invés de endurecer o jogo, impondo penas mais duras a quem transita na marginalidade, gradativamente, as autoridades têm afrouxado as punições para o uso e comercialização de drogas, ao ponto de me preocupar se, em breve, punidos sejam aqueles que delas não se utilizem.
 
Enquanto as nossas autoridades permanecerem cegas, não encarando esse gravíssimo problema com a importância e a seriedade que ele merece, nós continuaremos a assistir nossa sociedade sendo vítima desse estado de contínua degradação, que tem interrompido os sonhos, as esperanças e o futuro de tantos e tantos jovens, e roubado a alegria de seus familiares.


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