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Colunista - Edilson
Xepa
Data publicação 31/10/2016
Para nosso infortúnio, o governo de Marco Antônio está chegando ao seu final de forma melancólica, com o nauseante gosto de “fim de feira” e, infelizmente, sem deixar saudade na população de Caratinga que, como os números comprovam, se decepcionou ao tanto dele esperar e praticamente nada conseguir.
 
Há quatro anos, a cidade vivia um clima de euforia, na expectativa do início de um bom governo, baseada na esmagadora vitória obtida nas urnas pelo atual alcaide, sendo ainda comemorada em clima de incontida alegria e esperança.
 
É mister tornar claro que a derrota nas urnas, no recente pleito, não aconteceu nos 45 dias de campanha eleitoral ou como fruto de resultados de pesquisa. O fracasso político do prefeito foi construído gradativamente em três anos e nove meses de um mau governo, de um “time mal escalado”, de promessas não cumpridas, de obras inacabadas e da falta do sincero e necessário diálogo com o povo, que tanto esperou e muito pouco ou mesmo nada recebeu.
 
Após a festiva posse, no decorrer dos dias, meses e anos, a esperança que havia nos olhos da esmagadora e massacrante maioria da população e a expectativa positiva existente até mesmo em quem não fez parte dessa maioria, pouco a pouco foram sendo substituídas pela decepção que, em grande parte dos corações, assumiu o tom de revolta, de indignação, diante de compromissos desfeitos e muitos outros nem sequer tentados.
 
Quem foi ao povo e conquistou dele a confiança do voto, uma vez assentado no trono, cerrou os ouvidos ao clamor das ruas, bem como das críticas dos opostos, de onde invariavelmente vem a verdade necessária, preferindo ouvir aqueles que para não perderem a oportunidade de se beneficiar das doces benesses do poder, estavam dispostos a falar somente aquilo que se queria ouvir.
 
Não foram os números de um levantamento técnico publicados nas páginas de um jornal os responsáveis pela derrota do governo que se esvai. Da mesma forma, fossem esses números contrários, não teriam o poder de dar a vitória a quem tanto fez pela própria derrota. A responsabilidade pelo fracasso deve ser outorgada aos erros, aliás, muitos erros praticados com tanta insistência como se houvesse um prêmio para tal.
 
Alertas não faltaram durante o percurso. Foram muitos, porém, um a um foram rejeitados, como geralmente ocorre com quem, no objetivo de ascender ao poder, se apresenta ao povo com humildade e, então eleito, governa com a arrogância dos deslumbrados.
 
Resta-nos, agora, neste melancólico final de espetáculo de qualidade tão precária, esperar que a xepa seja a menos fétida possível e que o respirar de seu odor seja breve, colocando um ponto final em enredo de indubitável péssimo gosto.
 
Não dando espaço a qualquer resquício de rancor, entendendo como maior dos castigos o gosto amargo do fracasso, permanece a esperança de que, inspirado nos dizeres filosóficos de Diógenes de Sinope, o agora derrotado colha no infortúnio preciosas lições suficientes para lhe oportunizar, talvez, muitas e grandes vitórias no futuro.


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