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Colunista - Edilson
Fobos
Data publicação 19/09/2016
Eu morro de medo de criança!...
 
Tenho certeza de que o Wask, o Roberto Abdala e o Luís Kleber vão pegar no meu pé, por causa disso, no nosso encontro matinal no Café Íris, mas é a mais pura verdade!... Eu morro de medo de crianças!
 
Pode parecer estranho minha revelação, afinal, como alguém que denuncia prefeitos, vereadores e deputados, a Copasa (minha vítima predileta) e critica advogados, a Igreja e até membros do Poder Judiciário pode sentir medo de criança?... Estranho, né?... Mas é verdade!
 
Esse medo, aliás, essa fobia não existia no passado. Eu até gostava de lidar com as crianças, de brincar com elas. Hoje, isso ficou mais difícil e perigoso, afinal, como a expressiva maioria dos pais não educa aos seus filhos, como acontecia antigamente, quem mexe com criança corre o risco de ser xingado ou se tornar alvo de alguma outra forma de violência, assistida e consentida pelos pais.
Mas, a partir de junho de 1990, gradativamente, passei a ter dificuldades em conviver ou ocupar o mesmo ambiente com crianças e adolescentes ou cruzar com eles pelas ruas. Isso porque, a partir daquela data, as crianças e adolescentes receberam o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), um benefício que, no decorrer dos anos, se tornou um ótimo esconderijo para delinquentes juvenis.
 
Ops!... Não se pode falar assim!... Adolescentes que matam, estupram, roubam, assaltam, sequestram, traficam drogas e chefiam quadrilhas não podem sofrer a “grave ofensa” de serem chamados de “delinquentes”, embora delinquam. Eles são “menores infratores”!... Maneira adocicada de tratar bandidos que ainda não completaram 18 anos.
 
A minha fobia ocorre porque, se eu estiver perto de um menor e ele resolver implicar comigo, roubar o meu celular ou passar a mão na minha acompanhante e eu reagir, serei obrigado a apanhar do pivete. Do contrário, mesmo tendo aplicado apenas alguns safanões no marrento, serei conduzido à delegacia, como se não fosse o cidadão honesto que sou, e condenado pela Justiça a uma pena pecuniária, mesmo tendo agido em “legítima defesa”.
 
O ECA, nascido para ser proteção aos menores, teve sua aplicação desvirtuada e, além de não impedir a violência, principalmente a sexual, contra crianças e adolescentes, se tornou um elemento a favor da impunidade à criminalidade, inclusive, cerceando a ação das instituições policiais, cansadas de “enxugar gelo”.
 
A sensação de impunidade ou, melhor, a certeza de impunidade estabelecida pelo ECA formou uma infância e juventude abusada, desrespeitosa, arrogante, petulante, que sai às ruas escudada pela convicção de estarem protegidos por lei, sentindo-se autorizadas a fazer o que bem quiser.
 
E nós, que contra a vontade alcançamos a maior idade, nos vemos reféns dos abusos dessas crianças, sendo obrigados a assisti-los riscar nossos carros, quebrar nossas vidraças, ameaçar nossos filhos, esposas e a nós mesmos, sem poder reagir, seja pelo medo de retaliações deles e suas turmas ou pelas punições da Justiça que, neste caso, não considero justas.
 
Por isso, minha querida leitora, meu querido leitor, Wask, Roberto e Luís Kleber, é que, atualmente, eu morro de medo de criança!


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