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Colunista - Edilson
E agora?
Data publicação 06/06/2016
As imagens mostrando a prisão do ex-prefeito João Bosco e de pessoas que o assessoraram durante seu mandato à frente da Prefeitura de Caratinga, ao contrário do que muitos pensam, não me deixaram feliz. Aliás, elas muito me entristeceram.
 
A prisão de políticos e servidores públicos que usaram do poder conferido por seus cargos para tomarem para si recursos que deveriam ser usados em benefício do povo é justa. Eu sempre pensei e continuarei pensando assim. Porém tal fato, que a cada dia é visto com mais frequência em nosso país, é algo para ser lamentado e não comemorado.
 
A ascensão ao poder de pessoas desprovidas de caráter surge como o reflexo natural de uma sociedade desprovida dos mais elevados valores, na qual a honestidade tem se tornado uma raridade, fazendo daquilo que deveria ser regra uma exceção.
 
A busca pelo poder, em nosso país, lamentavelmente, não ocorre tendo por objetivo se obter a oportunidade para a adoção de medidas e projetos voltados a promover o bem ao cidadão. Ao contrário, o cidadão não passa de um mero objeto a ser usado como degrau para se chegar aos postos de destaque, sendo descartado tão logo alcançado o poder.
 
Diante desse quadro, típico do romance de Dante, tremo ao pensar que precisaremos continuar sendo obrigados a escolher para exercer os cargos mais importantes do sistema democrático, sejam eles na esfera municipal, estadual ou nacional, entre os ruins, os menos piores, simplesmente pela inexistência de bons ou melhores.
 
Como pensar em desenvolvimento, em progresso e em crescimento para nossas cidades, estados e para o nosso país, quando não temos alternativa outra senão a de optarmos pelo menos incompetente, menos despreparado e por quem rouba menos?
 
Verdade seja dita, o fato ocorrido com João Bosco tirou o sono e a tranquilidade de prefeito, ex-prefeito, assessores e ex-assessores, diante dos vários e muitos processos que contra eles tramitam em nossos tribunais.
 
Em meio a este “festival de corrupção” que assola o Brasil, despertamos às manhãs na expectativa de saber qual é o escândalo nosso de cada dia, quais os denunciados da vez e quantos foram os conduzidos à prisão, por atos lesivos ao erário.
 
Antes de me sentir satisfeito com os passos da Justiça que, embora muito lentamente, se esforça em cumprir o seu papel, e me alegrar em ver punido a quem muito errou, muito me preocupo ao pensar em como será o país a ser legado aos brasileiros, nossos filhos, netos e bisnetos, que nos sucederão.
 
Neste mar de denúncias e denunciados, como é a atual política brasileira, onde os criminosos são tantos, a ponto de nos impossibilitar enxergar quem criminoso não é, tento me convencer, a cada instante, a não deixar de acreditar na possibilidade de existirem soluções para esta nação, tão rica em potencial, mas que ainda insiste em permanecer deitada eternamente, enquanto lhe roubam o futuro e surrupiam seu berço esplêndido.


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