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Colunista - Edilson
De 1964 a 2016
Data publicação 27/04/2016
Quem me conhece bem ou já se sentou comigo para debater política, por diversas vezes me ouviu dizer que eu preferia a pior das democracias à melhor das ditaduras. Continuo pensando assim, mas, sou obrigado a abrir uma exceção ao atual governo, ou melhor, desgoverno.
 
Afinal, chamar os mandos e desmandos praticados por esta quadrilha que assumiu o poder no Brasil, há mais de 13 anos, de “democracia” é como cuspir nos ideais do grego Clístenes, um dos pais da democracia, e os demais atenienses que seguiram seus pensamentos.
 
Sempre fui contra o período da ditadura militar no Brasil, iniciado em 31 de março de 1964, porém, a corrupção institucionalizada em nosso país pelos caciques do PT e seus parceiros de conluio, assim como a revelação ininterrupta dos esquemas perpetrados por eles, com o desvio de centenas de bilhões de reais, me levam a ponderar se aquele momento não foi “menos pior” que o atual. 
 
Até mesmo quando os defensores do atual governo suscitam as torturas e mortes ocorridas durante o período em que o Brasil esteve sob o comando do Exército, para defender o atual momento como “melhor”, as estatísticas não se mostram suficientes para o meu convencimento.
 
Para mim, a violência não se justifica e a morte de uma pessoa não pode, em hipótese alguma, ser reparada, na medida em que a vida não tem preço e cada ser humano é único e, portanto, insubstituível. Mas, vale a pena olhar os números, para uma breve reflexão.
 
Segundo o livro “Dos Filhos Deste Solo”, escrito pelo petista Nilmário Miranda e o jornalista Carlos Tibúrcio, 424 pessoas foram mortas, ou ainda são dadas como desaparecidas, durante os 21 anos do regime militar. Desses 424, onde também estão vítimas de acidentes e suicídios, pessoas mortas no Exterior e, até mesmo, esquerdistas assassinados por esquerdistas, sob a suspeita de serem traidores, o número comprovado de assassinados é 293, incluídos os mortos na Guerrilha do Araguaia, onde os participantes estavam ali por vontade própria, e tentavam matar seus adversários.
 
É mister citar que os grupos terroristas contrários ao regime militar mataram 119 pessoas, muitas delas sem qualquer vínculo com a disputa política, como o vigia Paulo Macena, o jornalista Edson Régis de Carvalho, o bancário Osíris Motta Marcondes e, até mesmo, o major alemão Edward Von Westernhagen e o capitão Charles Rodney Chandler, dos Estados Unidos, que estavam estudando no Brasil.
Embora as mortes ocorridas durante os 21 anos do regime militar sejam totalmente reprováveis, independente de serem 500, 424, 293 ou apenas uma, tais dados não se comparam ao número de pessoas mortas a cada ano no Brasil, vítimas da falta de atendimento médico e da violência urbana, pelo fato dos recursos públicos, que deveriam ser aplicados na saúde e na segurança, terem sido desviados para os bolsos dos criminosos que ocuparam o poder.
 
Por tudo isso, se a ditadura militar foi um terrível mal para o Brasil, o modelo de regime democrático que hoje existe no Brasil é uma tremenda desgraça!


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