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Colunista - Edilson
Dois contos!
Data publicação 22/02/2016
Para início de conversa, quero deixar bem claro que eu acho plenamente justo o valor de R$ 2 mil, a ser pago mensalmente aos vereadores de Caratinga, para subsidiar o trabalho que eles devem desenvolver como representantes do povo na Câmara Municipal.
 
Para quem não sabe, a decisão de estabelecer o pagamento de salários aos vereadores de todos os municípios brasileiros foi tomada no final da década de 70 pelo general Ernesto Geisel, então presidente da República, como uma estratégia para manter o partido que apoiava os militares, a Arena, com ampla maioria no Congresso Nacional.
 
A Constituição Federal de 1988 estabeleceu os critérios para estipular os salários dos vereadores, a partir do número de habitantes dos municípios que, no caso de Caratinga, é de até 40% do salário base de um deputado estadual. Assim, para a próxima legislatura, o salário dos vereadores pode ir a R$ 10 mil.
 
É mister tornar evidente que esse alto salário, sem falar nas mordomias incorporadas às suas vantagens no decorrer dos anos, como conta de celular, pagamento de assessor, pagamento de diárias em viagens, geralmente de interesse próprio, pagamento de inscrições e taxas de participação em congressos, lhe permitem o enriquecimento do vereador. Ao final de um único mandato, recebendo R$ 10 mil a cada mês, o vereador terá recebido R$ 500 mil, lembrando que a vereança não o impede de manter outro emprego.
 
O maior problema é que este valor, diante do baixo salário recebido pela esmagadora maioria dos trabalhadores brasileiros, incluindo-se neste grupo os professores do ensino fundamental e do ensino médio, torna-se ofensivo, principalmente, pela péssima atuação dos vereadores.
 
Vale lembrar que o vereador foi eleito para defender os interesses da municipalidade, através da criação e aprovação de leis, assim como da fiscalização dos atos do Executivo Municipal. Para isso, R$ 2 mil é mais do que suficiente!
 
Agora, se for para vereador ficar pagando conta de luz e de água, comprando cesta básica, pagando consulta e exames médicos para conquistar ou manter o voto do eleitor, aí, R$ 10 mil é muito pouco, tenho que admitir.
 
Vereador não é responsável para construir ponte, muro de arrimo, rede de esgoto, rede pluvial, pavimentar ruas, transportar doentes para a capital, conseguir consultas, remédios, exames e internações, construir casas populares, etc., etc., etc... Isso é atribuição do prefeito que, para isso, precisa de dinheiro!... O vereador precisa de muito pouco dinheiro para cumprir com as atribuições do cargo para o qual foi eleito.
 
Porém, eu desaprovo a atitude do vereador Diego Oliveira, a quem tanto já aplaudi, que, querendo fazer média e marketing político com os eleitores, postou um vídeo na internet, anunciando que estaria apresentando uma proposta à Câmara para baixar os salários dos vereadores para a próxima legislatura para R$ 2 mil.
 
Ora, se ele acha R$ 2 mil suficientes para o trabalho do vereador, e eu concordo, a partir de agora, em todos os meses, deveria devolver à tesouraria da Câmara Municipal os R$ 7 mil que receberá além do justo.


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