tv semana grupo semana
     

PUBLICIDADE

Colunista - Edilson
Lei
Data publicação 10/08/2015
“Tem coisa que só acontece em Caratinga!”. Se você aqui nasceu ou aqui vive, certamente, em algum momento, já ouviu ou até mesmo proferiu esta frase que normalmente é usada para expressar espanto, diante de absurdos ocorridos em nossa cidade, como agora, quando um sindicato exige o cumprimento de uma lei que resultará em desemprego e redução de vencimentos dos trabalhadores aos quais, por princípio fundamental, deveria defender.
 
Eu me refiro à insistência da direção do Sindicato dos Comerciários em cobrar o cumprimento da lei 1755, sancionada em 1988 pelo saudoso prefeito Fabinho, que proíbe os supermercados de funcionarem aos domingos, feriados, a partir de 14 horas dos sábados e de 20 horas nos demais dias da semana.
 
A alegação dos líderes sindicais, de que os funcionários merecem o direito de passar os domingos junto aos seus familiares não se sustenta e nem satisfaz às consequências negativas do cumprimento da lei, como a demissão dos funcionários com os quais os estabelecimentos não precisarão mais contar, lembrando que os diretores do sindicato, protegidos por lei, não estarão entre os demitidos. Além disso, haverá a redução nos vencimentos de quem não perder o emprego na medida em que as horas extras dos domingos e feriados deixarão de existir.
 
Sei muito bem o que é trabalhar aos domingos e feriados. Aliás, sei o que é passar vários meses sem uma folga sequer, trabalhando de domingo a domingo, como quando militei por mais de 10 anos no Rádio Esportivo, nos quais os domingos eram passados nas cabines de rádio ou na beira dos gramados de algum estádio pelos quatro cantos de Minas ou do Rio de Janeiro, fossem eles Dia dos Pais, das Mães, aniversário dos filhos, esposa ou que data fossem. Eram os “cavacos” do ofício que eu abraçara e com os quais era obrigado a arcar para sustentar minha família.
 
Não fui obrigado a trabalhar como radialista, como quem não gosta de trabalhar aos domingos e feriados também não é obrigado a se empregar em um supermercado. Aliás, deveria dar a oportunidade para quem aceita o horário ou precisa das horas extras dos domingos e feriados para sustentar sua família.
 
Em um momento de crise, quando o emprego rareia e o desemprego se amplia em todo o Brasil, é absurdo uma entidade de classe empacar nas letras de uma arcaica lei que uma vez cumprida prestará um grande desserviço a toda a população de uma microrregião e gerará prejuízos aos próprios filiados.
 
E os vereadores, que tentam obter votos para as eleições do próximo ano defendendo a ideia dos líderes sindicais, deveriam ampliar os efeitos dessa esdrúxula lei a todos os demais profissionais do comércio e de empresas prestadoras de serviços, afinal, o “sagrado direito de passar o domingo com a família” também deveria alcançar os funcionários de postos de combustível, restaurantes, bares, padarias, farmácias, lanchonetes, motoristas e trocadores de ônibus, policiais e bombeiros. Ou não?


Mudar de colunista:

FALE CONOSCO
grupoasemana@gmail.com
333322-1212
RUA JOAO DA SILVA ARAUJO, Nº 8 - SL304
CENTRO | CARATINGA-MG


Copyright JORNAL A SEMANA - © 2018 - Todos os direitos reservados.