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Colunista - Edilson
Maloca
Data publicação 19/07/2015

Em 1951, entre as muitas músicas que criou, João Rubinato, mais conhecido como Adoniran Barbosa, compôs “Saudosa Maloca”, gravada em 1955 em um disco de 78 rpm, na qual contava a história de três amigos que precisaram deixar uma casa velha, um “palacete assobradado”, que haviam ocupado e onde moravam há anos, porque o dono do imóvel tinha decidido demoli-lo.

Fato interessante da trama é quando um deles, justamente aquele cujo nome não é mencionado na música, chama a atenção do amigo “Mato Grosso”, que pretendia reagir à ação dos trabalhadores, reconhecendo que o dono estava com a razão, apesar da demolição da velha casa estar doendo em seu coração, pois, ali, naquela maloca, ele e os amigos tinham passado dias felizes de suas vidas.

Situação semelhante aconteceu em Caratinga, no início da semana passada, por quem viveu e usufruiu os tempos áureos do Cine Brasil e não desejava vê-lo demolido, como decidiu fazer o dono do imóvel.

O desejo de quem queria ver o antigo cinema em pé é legítimo e justo!... Jamais questionarei as coisas do coração!... Porém, como no caso da “maloca”, o dono do antigo prédio do Cine Brasil está com a razão.

Durante as várias décadas em que o Cine Brasil existiu, o legítimo dono do imóvel investiu seus próprios recursos para adquiri-lo e custeou todas as despesas resultantes de sua posse e manutenção, com pintura, limpeza, obras de reformas e reparos... Sem falar no pagamento de impostos, tarifas de energia elétrica e de abastecimento de água, entre outras despesas.

Ao se decidir pelo tombamento do prédio, o Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio Cultural e quem pretendia ver o Cine Brasil transformado em centro cultural, deveria, após a avaliação do imóvel, propor ao seu proprietário uma indenização, para que ele não fosse lesado em seu patrimônio, o que não aconteceu. Com isso, o pretendido tombamento não foi além de uma tentativa de desapropriação, de graça.

Além disso, o Conselho e seus apoiadores, autointitulados defensores da cultura e da história de Caratinga, não se dignaram a apresentar um projeto para a transformação do prédio, em desuso, em um centro cultural, no qual constassem sua destinação, critérios para utilização, responsabilidade de administração e fonte de recursos necessários à sua manutenção, entre outros aspectos.

A proposta foi se apropriar de um bem particular, através de um inconsistente processo de tombamento, e entregá-lo ao Município, passando à administração municipal, de combalidos cofres, a responsabilidade de gerenciar o “elefante branco” e arcar com todas as despesas decorrentes de sua existência.

Os bastiões da cultura caratinguense, cuja fertilidade criativa tem se mostrado insuficiente para congestionar as datas disponíveis e os espaços culturais já existentes na cidade, antes de tentar a posse de um patrimônio particular, deveriam apresentar projetos culturais em números suficientes a justificar a necessidade de novos locais exclusivos a esse fim, ao invés de ficar na praça, como fizeram na semana passada, chorando “cada táuba que caia” na demolição de uma “saudosa maloca”.


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