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Colunista - Edilson
1914
Data publicação 01/06/2015
Não bastassem os absurdos revelados pela imprensa brasileira a cada momento, referentes ao prosseguimento das investigações da Polícia Federal quanto aos esquemas de corrupção perpetrados nos diversos setores da administração pública do Brasil, envolvendo empresas, empresários, autarquias e, como não poderia fugir ao hábito, políticos, na última semana, fomos sobressaltados com o escândalo envolvendo o Futebol Mundial.
 
A operação realizada na Suiça, a primeira das muitas etapas de uma ampla investigação, que terminou com a prisão de dirigentes da Fifa e de confederações, entre os quais o ex-presidente da CBF, me conduziu em uma viagem ao passado, quando em 17 de dezembro de 1914, da tribuna do Senado Federal, em um inflamado discurso, cobrando justiça e denunciando fraude, Ruy Barbosa proferiu a celebre frase: “De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto”.
 
Se, hoje, ele estivesse vivo, não precisaria retocar sequer em uma vírgula o seu pronunciamento, diante do que ocorre em nossas cidades, em nossos estados, em nosso país e, como está claro, em todo o Mundo.
 
Torço e quero acreditar nas exceções, mas a frase proferida há mais de 100 anos, a cada dia, se mostra mais profética, atual e verdadeira. Por isso, muito me entristeço ao afirmar que a esmagadora maioria das pessoas, senão a quase totalidade daqueles que criticam e condenam os envolvidos nesses bilionários esquemas de desvio de dinheiro público ou em outros tipos de corrupção, se estivesse na mesma situação e posição dos acusados, não agiria de forma diferente.
 
No cotidiano de nossa sociedade, no qual a norma que impera é a “Lei de Gerson”, onde o principal é a obtenção de vantagem a qualquer custo, presenciamos e praticamos pequenos gestos e ações suficientes para provar que “honestidade” é uma virtude cada vez menos exercida e que a mentira, o engano e a corrupção tornam-se justificadas quando somos os seus autores.
 
Assim como quem rouba um banco é ladrão, quem se apropria de uma caneta de outrem também o é. O roubo não está na quantidade do roubado, mas no gesto que denota a desonestidade. Afinal, não existe distinção entre pouco ou muito desonesto. Não existe o “quase” honesto, da mesma forma que não existe o “quase” desonesto.
 
Atitudes simples como “furar a fila” ou “colar na prova” são fraudes e demonstram a tendência da pessoa em obter vantagens em prejuízos dos demais e isso é corrupção.
 
Muitos não se enriquecem através do desvio de recursos públicos ou das empresas em que trabalham porque lhes faltam oportunidades, enquanto outros deixam de roubar por medo ou por lhes faltar ocasião, mas não por convicção ou virtude de caráter.
 
Para uma breve reflexão, cai bem uma última pergunta, em meio a tantos escândalos: Se você estivesse na posição deles, você teria agido igual a eles ou diferente?


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