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Colunista - Edilson
Vergonha
Data publicação 19/06/2017
Antes das denúncias feitas por um dos donos da JBS, uma pesquisa realizada por um dos mais renomados institutos especializados do País mostrou que mais de 38% dos entrevistados tinham vergonha em ser brasileiros. Hoje, provavelmente, tal índice ultrapassaria a casa dos 50%.
 
Na verdade, torna-se por demais difícil ter orgulho de ser brasileiro quando os três poderes constituídos – Executivo, Legislativo e Judiciário – brincam com a ineligência, com a honra e a moral das pessoas nascidas na “Terra de Santa Cruz”. Entre tantos fatos, destaco a “delação premiada”, recente ferramenta usada pelo Poder Judiciário nos processos de apuração de escândalos de corrupção.
A Delação premiada, criada para ser um instrumento para favorecer a elucidação dos crimes praticados em esquemas de corrupção, na verdade, pelo que estamos assistindo, se transformou na oficialização da lavagem de dinheiro desviado, vindo a fortalecer a tese de que, no Brasil, o crime não apenas compensa como tam-bém é excelente meio de enriquecimento.
 
Todos os acordos de delação “super premiada” firmados até agora, nas investigações das operações realizadas no Brasil, foram altamente benéficos aos envolvidos nos esquemas de fraude, corrupção e desvio de dinheiro público, na medida em que, mesmo reconhecendo-se culpados, eles ficam com parte (a maior parte) do dinheiro roubado.
 
É importante sempre lembrar que esse dinheiro mantido em poder de corruptos e corruptores, com a autorização do Poder Judiciário e aquiescência do Ministério Público, deixou de ser aplicado na Saúde, na Educação, na Segurança Pública, no Saneamento Básico, na Habitação, em Infraestrutura, na Agropecuária... Tendo o seu desvio causado a morte de centenas de milhares de pessoas por falta do atendimento médico necessário, em um completo descumprimento das responsabilidades do Estado, conforme reza a Constituição Federal de 1988, ironicamente chamada “cidadã”, e contribuído decisivamente na formação do grupo de mais de 14 milhões de brasileiros desempregados, como acontece no atual momento.
 
A forma como a delação premiada vem sendo aplicada em nosso país não apenas comete a injustiça de não punir os criminosos, como se torna um enorme incentivo a quem antes não pensava em praticar ou participar de esquemas de corrupção a cometê-los.
 
Deixo no ar perguntas para as quais não tenho resposta!... Que punição existe em conceder prisão domiciliar para quem reside em uma mansão, com direito a todos os luxos que o dinheiro pode comprar?... Qual punição é aplicada, quando se tira de um ladrão apenas uma pequena parte daquilo que a ele nunca pertenceu?
 
Tenho outros questionamentos!... Qual é o benefício oferecido ao cidadão hones-to, trabalhador, dedicado, cumpridor de seus deveres, pagador de seus impostos (por sinal pesados e injustos), para que ele continue a agir assim?
 
Ao observar tudo isso que ocorre neste querido e roubado Brasil, sintome impulsionado a fazer uma viagem do tempo, mais precisamente ao ano de 1914, como se ocupasse uma cadeira nas galerias do Senado Federal, tendo diante de mim o ilustre senador Ruy Caetano Barbosa de Oliveira ou, simplesmente, Ruy Barbosa, o “Águia de Haia”, proferindo talvez o seu mais célebre discurso, no qual afirma: “De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto”.
 
Peço a liberdade de apresentar-lhe outro trecho desse profético discurso de Ruy Barbosa, quando ele assim declara: “A injustiça, Senhores, desanima o trabalho, a honestidade, o bem; cresta em flor os espíritos dos moços, semeia no coração das gerações que vêm nascendo a semente da podridão, habitua os homens a não acreditar senão na estrela, na fortuna, no acaso, na loteria da sorte; promove a desonestidade, promove a venalidade, promove a relaxação, insufla a cortesania, a baixeza, sob todas as suas formas”.
 
Sem mais palavras!


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