COLUNAS
Coluna do Edilson
Na tentativa de conseguir fôlego, diante da crise que seu governo enfrenta, na última sexta-feira, João Bosco convocou uma entrevista coletiva, chamando todos os órgãos da imprensa local com os quais mantém contrato financeiro, deixando de convidar ou comunicar o fato ao jornal A Semana e ao Super Canal.
Não vejo o que ele ganha com tal postura, nem sei quem o está aconselhando a agir assim, a menos que esteja evitando os órgãos de imprensa independentes, temeroso de ser-lhe perguntado aquilo para o qual não tem resposta.
Sei que, agindo assim, João Bosco perde excelente ocasião para calar qualquer crítico, diante de respostas irrefutáveis, se é que ele as tem.
Antes de ingressar na vida pública, a pessoa deveria se preparar muito bem, principalmente, para saber enfrentar, com equilíbrio, os momentos mais difíceis, quando os “amigos” se afastam e as críticas surgem de todos os lados.
Aliás, o homem público precisa saber conviver com as críticas, mesmo quando ácidas ao extremo, e valorizá-las muito mais que aos elogios, muitas vezes impregnados de torpe adulação.
É imperativo, ao homem público, compreender que os críticos, até os mais ferrenhos, são úteis, na medida em que apontam os defeitos e, assim, oferecem a oportunidade das correções.
Todavia, tal postura é totalmente desprezada pela esmagadora maioria dos nossos políticos que, inebriados pelo poder, considerando-se a si próprios como semideuses, julgam estar acima do bem e do mal, repudiando veementemente as avaliações contrárias, deixando de crescer como gente e como homens públicos.
E como as pessoas preferem, muito mais, ouvir uma mentira que as agrade a uma verdade que as contrarie, optam por rodearem-se de bajuladores, deliciando-se com seus banais elogios, dos quais nada extrairão de útil.
Diante de quem os paga, e paga bem, jamais abrirão a boca para falar o que o patrão precisa ouvir. Falarão, sim, o que chefe deseja ouvir e nada mais!
Nós podemos falar duro, às vezes até, muitíssimo duro, mas, com a consciência tranquila de que falamos a verdade!
Não compreende João Bosco, que aqueles que com ele agora estão, serão os mesmos que dele se afastarão quando seu poder se esvair, mostrando-lhe, de forma contundente, o quanto o poder é efêmero.
Infelizmente, assistimos a um triste espetáculo, no qual um homem, que desejou por vontade própria tornar-se público, deixa passar a oportunidade de mostrar a todos, companheiros ou adversários, bajuladores ou críticos, como age altaneiramente um verdadeiro líder.
Coluna do Edilson
Edilson Rodrigues - Editor Chefe do jornal A Semana